domingo, 3 de abril de 2011

Bodas de prata

Tudo começou muito mal. Em uma corrida complicada. O taxista Sabugo só aceitou fazer o serviço porque o passageiro era um antigo colega seu, que trabalhou no mesmo ponto havia alguns anos. Apesar da amizade, Sabugo sabia que o homem não era flor que se cheirasse: fora demitido do táxi em que trabalhava por se envolver em negócios escusos. Drogas, diziam.
O passageiro, contudo, era do tipo envolvente, que conquista amizades ao primeiro abraço. Sempre falante, sorriso largo, divertido e cativante. O típico cafajeste irresistível. Além de tudo, estava sempre disposto a ajudar. Certa feita, perdeu meio dia de trabalho ajudando a consertar o táxi de um colega. Por tudo isso, Sabugo resolveu fazer a corrida.
Depois de levar o homem até alguns endereços suspeitos da periferia, Sabugo acabou descobrindo que ele estava, na verdade, tentando vender um rádio, tentando trocá-lo por drogas. Em uma das casas em que entrou, o homem saiu alterado, com os olhos vermelhos, já fora do seu estado normal. Foi quando Sabugo resolveu por fim à situação.
Como o passageiro não tinha dinheiro, a corrida acabou em sua casa, onde pretendia conseguir grana com a mulher para pagar Sabugo. Ela, porém, não estava. Disposto a não deixar o taxista mal, o homem juntou uma trouxa de roupas e ofereceu em pagamento, o que Sabugo recusou, indignado. O homem, então, fez o ex-colega aceitar sua aliança como garantia. Prometeu que passaria no ponto mais tarde para pagar a corrida e resgatar a joia, coisa que nunca aconteceu.
Depois de meses com a aliança rolando pelo táxi, Sabugo foi até a casa do homem tentar receber seu dinheiro. Foi recebido pela mulher do sujeito, uma moreninha muito linda, que merecia marido melhor. Ela mandou que Sabugo ficasse com a aliança, pois tinha mandado o cafajeste embora de casa.
Meu colega ficou com a aliança e com a moreninha também, com quem casou e teve quatro filhos. Estão completando 25 anos de um feliz casamento: bodas de prata.

15 comentários:

Alexandre disse...

Esperto foi o Sabugo... Adorei seu blog !!!

Alexandre
http://soupretomassoulimpinho.blogspot.com/

Eliana disse...

Como dizem por aí, "há males que vem para o bem"...
Se o cara não tivesse pego o táxi do Sabugo, ele não estaria fazendo bodas de prata hoje!

Abraços!

Adriano de F. Trindade disse...

Pensei no mesmo, "há corridas ruins que vem para o bem". Pode se saber como uma corrida ruim vai terminar, mas não podemos saber o quê pode resultar de uma corrida ruim: Esposa e 4 filhos há 25 anos por ajudar um cara que não era flor que se cheirasse. E olha que um casamento pra durar isso tudo, tem que ser muito bom!
Garanto que não é a primeira vez que algo bom resulta de uma viagem que, á primeira vista, é furada.
Grande abraço!!!

fabita . disse...

oi, mauro!

bah, comecei um trabalho novo,
muito bom, bem melhor do que o antigo. tentei em poa, mas não
pintou nada muito interessante.
agora não sei quando irei,
mas não pretendo demorar.
assim que eu for, te aviso,
meu amigo! abraços pra ti.

fabita . disse...

ah, sou sua leitora.
me divirto aqui ;D

Sylvio de Alencar. disse...

Faz um tempinho que não venho aqui...
Continuas afiado!

Posso dizer que sua escrita melhorou! Está fluída..., bem construída; sem duvida, você gosta do que faz! O que é muito bom para nós que o lemos.

E, através de seus contos, conhecemos também suas verdades; que é o que dá significado a tudo que fazemos.

Feliz com sua visita lá em 'casa'!

:)

Abrçs!

**** disse...

Opa...
O negócio rendeu, hem?
Abraços!

Anne Lieri disse...

Mauro,essa corrida rendeu...rsss...muito legal seu conto!Bjs,

Anne Lieri disse...

Mauro,essa corrida rendeu...rsss...muito legal seu conto!Bjs,

Leci Irene disse...

Adorei! Guri, isto é para acreditar qdo se diz que não se sabe em que esquina a felicidade nos espera!!!!!!!!

Clarice disse...

Não sei quem deu mais sorte, se foi o motorista ou a mocinha. De quebra rendeu um belo post.
Abraços de sol.

Livingstone disse...

Vovô Pinto e vovó Joanôra viveram a vida inteira juntos, 78 anos juntos, pra ser mais exato. Nem tinha bodas pra eles comemorarem mais. Tiveram que se casar de novo, e fizemos o casamento deles. Foi lindo!

Livingstone disse...

Livingstone
www.uegablignoic.wordpress.com

vidacuriosa disse...

Como se dizia lá em Bagé, o passageiro não valia um sabugo...

Eduardo P.L disse...

Esse sabugo se deu bem! E o autor do texto, idem! Muito bom!