segunda-feira, 9 de julho de 2018

Dia dos namorados
Meu passageiro postando foto aqui no Face ao lado da mulher, caixa de bombom nas mãos, enquanto eu largo a amante dele (25 anos mais jovem) no shopping com um cheque presente de mil reais na bolsa.
Coisa linda.
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Passageira aqui do nosso ponto, mãe de quatro filhas mulheres, todo o ano pega táxi no dia de Santo Antônio, leva as meninas na igreja. Cada ano uma filha a menos. Ano passado, apenas ela e a última solteira.
Até agora, metade da manhã, a mulher ainda não apareceu. Desconfio que o santo casamenteiro emplacou mais uma.
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Ontem. Saída da igreja Santo Antônio. Uma mulher vinha amparando uma outra mais idosa, que tinha dificuldade de caminhar. Parei o táxi com a porta traseira bem à mão. Aberta a porta, antes ajudar a mais velha a embarcar, a outra espichou o braço sobre o banco, como se fosse limpar o estofamento, ajeitar o cinto, sei lá. Quando ela recolheu o braço, vi que segurava uma bolsinha azul, uma espécie de niqueleira. Pareceu-me que ela havia achado aquilo sobre o banco, mas não tinha certeza, fiquei olhando para ela, esperando que me avisasse, mas ela ocupou-se ajudando a idosa a embarcar. Por um instante, a mulher chegou a me olhar, viu que eu esperava que ela dissesse algo, mas desviou o olhar, ficou na dela. Despediu-se da idosa, fechou a porta do táxi e deu as costas. Antes de partir com a corrida, ainda acompanhei a mulher que sumia no meio da multidão que saía da igreja. Enquanto caminhava, procedia a abertura da bolsinha, num gesto evidente de curiosidade. Fiquei com a pulga atrás da orelha, mas preferi acreditar que ela já estava com a bolsinha na mão, que a maldade estivesse na minha cabeça.
Acaba de ligar para nosso ponto uma passageira perguntando se não perdeu uma niqueleira azul no meu táxi...
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Notícia
Quem desce a Caldre fião, sentido bairro, passando a Maria Degolada, na segunda esquina tem um despacho de macumba pesado. Papel celofane, velas, cachaça, coisa e tal. Bem no centro da oferenda, cercada de guloseimas, uma camiseta oficial do Internacional. Agora vai!
Saravá.
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Mulher negra, vestida de forma humilde, saindo de uma creche chique, alto padrão, com uma criança loirinha no colo. Destino: condomínio de luxo no Bairro Cristal. O bebê agitado, choramingando, nem o embalo do táxi o acalma. A babá não tem dúvida. Tira o seio farto pra fora, oferece à criança que põe-se a mamar, estala os beiços, sacia a fome com gosto. A mulher diverte-se com a cara de espanto do taxista.
- Leite é leite, senhor, não importa a cor da teta.

domingo, 24 de junho de 2018

Dona Mariazinha, minha idosa passageira, contou que entrou ontem em um táxi que estava na fila para abastecer.
- Como assim, dona Mariazinha?
- A fila ia para o lado da minha casa, eu não estava com pressa. Foi ótimo, eu e o taxista conversamos bastante, adorei. Ele descia de vez em quando, empurrava o táxi, voltava e continuávamos papeando. Gente gritando, buzina, confusão... bem emocionante, me senti viva, sabe? Fazendo parte da história! Muito melhor do que ficar assistindo pela televisão. Eu contei pra Elza, minha vizinha, ela morreu de inveja.
- imagino.
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É incrível como, depois de um tempo transportando a mesma pessoa, o taxista passa a conhecer as manias do seu passageiro. O Sr C. é um cliente tranquilo: corridas longas, gorjetas eventuais. O problema dele é quando o taxista deixa a conversa escorregar para a política. Ferrou. Quando fala de política, Sr C. costuma cavocar o nariz. É batata. Mania. Como se a política lhe provocasse a secreção nasal, sei lá.
E depois não adianta o taxista desconversar, perguntar sobre a dupla Grenal, previsão do tempo... Quando começa a falar de política, Senhor C. enlouquece e perde o sentido da realidade, só fala e cavoca as narinas. Um horror!
O pior é quando, no final da corrida, ele que apertar a mão do taxista. Sem chance!
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Gasolina no posto em frente ao Hospital Psiquiátrico São Pedro, gente!!
Aproveitem e se internem.
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Minha passageira toda inspirada:
- O sol iluminando a 'cópula' das árvores, coisa linda.
- Não é?
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Na menopausa, a passageira comprou meu livro pra se abanar. 
Seja como for, obrigado.
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Táxi parado no semáforo, chamei a atenção do meu passageiro para um homem que vinha pela calçada rindo sozinho. Ninguém com ele, nem fone de ouvido, nem celular, o homem simplesmente caminhava sorrindo. Meu passageiro, talvez incomodado por ter que tirar os olhos da tela do seu smartphone, foi curto e grosso:
- Doente mental. Só pode ser.
Não me parecia o caso. O homem na calçada parecia normal (apesar de estar sorrindo), talvez estivesse apenas feliz, alguma lembrança que lhe ocorreu em meio à caminhada, um encantamento íntimo qualquer, sei lá, um simples sorriso não pode ser sintoma de loucura. Pensei em argumentar com meu passageiro, mas ele voltara a grudar os olhos no seu smartphone, hipnotizado, não parecia interessado em sorrisos alheios.
Vivemos tempos bicudos. Mostrar os dentes em público talvez seja mesmo uma temeridade.
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- E agora, mãe, sem internet, como vamos conseguir transporte?
- Usando o dedo.
- Dedo? É tipo um app?
- Veja, meu filho, a gente levanta o dedo assim e um táxi pára.
- Táxi??
- Olha aí, parou, isto é um táxi.
- Uau! Como é que isso funciona?
- O dedo levantado aciona uma espécie de rede, gera um algoritmo, digamos assim, e a cidade passa a lhe enviar táxis.
- Táxi! Maneiro! O que é aquilo em cima do painel?
- É um taxímetro, meu filho, um taxímetro.
- E onde a gente digita o destino?
- Basta falar para o taxista, ele conhece a cidade.
- Ele tem tipo um Google Maps na cabeça!
- Taxista, nos leve até a biblioteca pública.
- Biblioteca, mãe? O que é biblioteca?
- Um lugar onde você vai fazer o seu trabalho escolar sem internet.
- Jura?? Que dahora!!
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ACIDENTE
Acaba de acontecer. Meu táxi acaba de ser abalroado por uma louca sem noção que vinha em sentido contrário. Não tive o que fazer, vi que ela ia bater, apenas freei e esperei parado pelo choque. A mulher vinha, óbvio, mexendo no celular, tinha que ser! A tela iluminada brilhando nas lentes dos óculos escuros da louca. Ela sequer fez sinal de parar, assim como vinha bateu. Primeiro com os joelhos, depois falseou os saltos, desequilibrou-se, caiu contra o capô, os óculos entortaram, o cabelo desarmou, a bolsa caiu, mas o celular firme na mão - como um bêbado que se esborracha no chão mas não larga a garrafa de cachaça. Que coisa, que cena mais patética! Aonde vamos parar com isso? Não duvido que ela tenha postado foto do joelho roxo no Instagram #aloka #ridicula
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Parado no sinal, tamborilando as mãos no volante do táxi, volume máximo, eu acompanhando o Tim Maia, cantando e chacoalhando a cabeça: a semana inteeeira/fiquei te esperaaando... Parei quando percebi que, no veículo ao lado, uma senhora muito alinhada, muito sóbria, mãos grudadas na direção do seu Corola, me observava com evidente desprezo no olhar.
Eu e a madame nos fitamos por um breve segundo. Depois ela voltou a mirar o sinal vermelho com um um sutil movimento de desaprovação da cabeça, queixo espichado, as sobrancelhas erguidas, por certo reprovando a postura inadequada deste taxista cinquentão.
Imagina se ela me pega interpretando Fred Mercury!

domingo, 10 de junho de 2018

Orgulhava-se de ter sido considerada a vedete com as pernas mais bem torneadas do teatro de revista. Casou-se com um rico empresário gaúcho e veio morar em Porto Alegre. Quando pegou meu táxi, já vivia de lembranças, esquecida em um asilo de luxo da Zona Sul. Inspirada pela claridade azulada do outono gaúcho, acabou desviando a corrida, que inicialmente a levaria para uma consulta médica. Acabamos às margens do oceano Atlântico, praia de Torres, onde minha passageira caminhou por um bom tempo pelas franjas salgadas do mar. A corrida dos sonhos de qualquer taxista, que acabou se repetindo por mais duas vezes. O longo caminho rumo ao litoral, recheado de lembranças teatrais, a esperança na capacidade de cura da água salgada, mas os problemas de circulação piorando, a dificuldade cada vez maior de caminhar.
Hoje, chamaram um táxi no asilo, perguntei à recepcionista pela minha antiga passageira. Soube que morreu há alguns anos, vítima de trombose, as duas pernas amputadas - as pernas que ajudaram a fazer sua fama.
A manhã, que começou límpida, foi aos poucos se acinzentado... É o outono gaúcho, é a vida.
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Eu andava com umas dores de cabeça sérias, bastava virar o pescoço para falar com algum passageiro no banco de trás e pronto: uma cefaléia brava me invadia, as têmporas latejando por dias a fio, não tinha remédio que desse jeito, tentei de tudo - algo a ver com cervical, sei lá. Até que meu pai falou das tais freiras milagrosas. Oi?
Em desespero de causa, resolvi arriscar. Botei meu pai no táxi e partimos em busca do milagre. Trata-se de duas religiosas de origem asiática (Nepal, segundo informaram a meu pai), que teriam chegado ao Brasil no início do século passado, fugindo de alguma guerra em seu país de origem. Depois de uma vida enclausuradas em um convento, as religiosas teriam sido excomungadas da congregação sob acusação de bruxaria - história narrada em tom de mistério por meu pai (de quem devo ter herdado o "dom de iludir") enquanto procurávamos pelo endereço das milagreiras - um casebre isolado onde Judas perdeu as botas, pra lá do Passo Dorneles, num ponto inexato, entre o nada e lugar nenhum. A noite de chuva, gps sem sinal... a busca pela cura não é para fracos.
Pra encurtar a história, que isso aqui é Facebook e estou escrevendo no celular, achamos a tal casa. Paredes encarvoadas, as freiras centenárias, apoiadas em bengalas tortas, fumando grossos charutos e cercadas de gatos. Elas processam uma espécie de caldo de ervas em panelas velhas, aquecidas sobre um fogão à lenha. Deram-me um vidrinho desse caldo, com uma tampa em forma de conta-gotas. A maneira como deve ser administrado o remédio é uma espécie de ritual, que deve ser seguido à risca. Funciona assim, preste atenção:
Antes que o sol nasça (isso é importante), você reza um Ave Maria, um Pai Nosso, faz o sinal da cruz 3 vezes, mentaliza a imagem do Deus de sua preferência (no meu caso o Bob Dylan), pinga uma gota do Caldinho das Freiras sobre um comprimido de Ibuprofeno 600mg e engole.
É tiro e queda.
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Voltando de Ipanema pela beira da praia (menos chance de pegar corrida, mas o visual compensa), na altura do antigo Timbuca, vejo algo que me captura a atenção. Alguém está nadando no Guaíba! Com esse frio! Oito da manhã, marcando dez graus no painel do táxi. Parei pra entender o que estava rolando.
Era um homem, um oriental, japonês, sei lá, ele foi saíndo da água e estava pelado. Pelado!, o homem estava completamente pelado! Ao ver meu táxi, ele me fez sinal, me chamou, como se precisasse de algo. Eu baixei o vidro, ajeitei os óculos: o homem estava tremendo de frio, começou a correr em minha direção, uma cena bizarra (imagina um japonês arrepiado de frio, pelado, correndo em sua direção). Devia ser alguma pegadinha, procurei por câmeras escondidas, mas a praia estava deserta, ninguém além do japonês peladão e meu táxi. Minha deusa!
Ele aproximou-se da janela, todo molhado, pingando, arrepiado, os lábios roxos, tremendo de frio, deu pena do homem. Batendo queixo, o maluco me perguntou quanto daria uma corrida até Higienópolis, na altura do Zaffari. Depende, se formos pela Perimetral... enfim, chutei um valor aproximado. Ele então me perguntou se meu táxi aceitava cartão. Todos menos Banrisul. Foi quando o homem emputeceu, começou a me xingar, o miserável! Indignado por eu não aceitar o maldito cartão Banrisul. Ele batendo boca (é o banco do povo, blá, blá, blá), eu quieto, que se dane.
Depois de me mandar para o quinto dos infernos, a porcaria do japonês girou o corpo e voltou correndo em direção à praia (a bunda branca, nem um pêlo no corpo, imagina). O homem se jogou novamente nas águas geladas do Guaíba e se foi, nadando firme rumo ao horizonte. Acompanhei-o até que a vista não mais identificasse suas braçadas.
PS: sim, o cartão, já ia me esquecendo. Depois de me esfregar o cartão na cara, depois de dar seu patético discurso em defesa do banco público, o japonês voltou a enfiar o cartão (de débito/banricompras) na bunda, entre as nádegas, os glúteos retezados para não perder a tarjeta. Affmaria.
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Desabastecimento
Envolta em seu casaco de pele, minha passageira me alerta que já falta camarão nas prateleiras do Zaffari.
- Gente, que país é esse!?
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AJUDA
Tenho um passageiro chato, que apaixonou-se por uma prostituta de luxo. Acontece que, depois emprestar uma pequena fortuna para a moça fazer uma Lipo, a profissional do sexo passou a fugir do cliente (com razão, o cara é um mala). Tudo o que ele sabe é que ela mora lá para os lados do Sarandi, em uma casa que tem um muro com a pixação "povo com Lula". Ele está gastando uma bela grana no meu táxi, fazendo corridas diárias em busca do tal muro.
Caso alguém identifique essa residência, por favor, peça para que pintem o muro, urgente.
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O homem entrou no meu táxi fedendo a gasolina. Tem gente que gosta mesmo de aparecer.

domingo, 27 de maio de 2018

Meu passageiro era uma metralhadora giratória:
- Tem troco pra 50, taxista? A gente troca, o dinheiro evapora, mas vai ter que durar até o fim do mês, meu cunhado quer me dar aumento pelo índice não sei qual, disse que é a lei, pensa que eu sou burro, o supermercado ninguém controla, aumenta tudo, meu cunhado sabe, ele vai no Zaffari toda hora, não faz rancho, diz que estraga as coisas, não estraga nada, bota na gaveta e dura o mês todo, o super ninguém controla, mas o meu aumento é uma merreca, é o que dá trabalhar com parente, meu cunhado trata melhor os cachorros dele do que os empregados, meu cachorro não tem mais ração faz uma semana, tá catando nos lixos dos vizinhos, sorte que o mês tá acabando, sobrou esse cinquentão e olhe lá, cartão não uso mais, só da farmácia e da Riachuelo, se precisar comprar um calçado, sei lá, mas acabei com os cartões, tu não paga o boleto, não tem perdão, paguei 40 de juro mês passado, minha filha que me ajudou, ela trabalha como uma condenada pra fazer as vontades do filho, maconheiro sem vergonha, disse que quer ser skatista, vive no Parque Harmonia, fumando maconha, pensa que eu não sei, roubou o carro da minha filha, sem carteira, prenderam o carro, eu não tenho mais carro, não quero, só pra pagar IPVA, aquela merda, pifou o arranque, eu vivia empurrando, não quero mais carro, vou de ônibus pra praia, sento lá, banco reclinável, acordo na praia, tenho uma casinha no Quintão, duas quadras da rodoviária, mês passado me arrombaram a porta, roubaram o botijão de gás, os safados, pra trocar por droga, minha mulher, quer que eu venda a casa, ela é costureira, faz reforma, bainha a 5 Reais, ninguém quer pagar, o conserto da máquina custa os olhos da cara, mas a bainha os bacanas acham caro, ela só trabalha pra burguês, burguês é tudo mão de vaca, uma bainha tinha que cobrar uns 30, quer, quer, azar, meu cunhado não quer dar aumento, o índice, o índice, que se dane o índice, tô fazendo uns bicos, cortando grama, tenho uma máquina, corto uma graminha, varro tudo, deixo bonito...
- R$10.
- O senhor me dê duas de vinte, não troque muito, a gente troca, evapora.
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Orgulhava-se de ter sido considerada a vedete com as pernas mais bem torneadas do teatro de revista. Casou-se com um rico empresário gaúcho e veio morar em Porto Alegre. Quando pegou meu táxi, já vivia de lembranças, esquecida em um asilo de luxo da Zona Sul. Inspirada pela claridade azulada do outono gaúcho, acabou desviando a corrida, que inicialmente a levaria para uma consulta médica. Acabamos às margens do oceano Atlântico, praia de Torres, onde minha passageira caminhou por um bom tempo pelas franjas salgadas do mar. A corrida dos sonhos de qualquer taxista, que acabou se repetindo por mais duas vezes. O longo caminho rumo ao litoral, recheado de lembranças teatrais, a esperança na capacidade de cura da água salgada, mas os problemas de circulação piorando, a dificuldade cada vez maior de caminhar.
Hoje, chamaram um táxi no asilo, perguntei à recepcionista pela minha antiga passageira. Soube que morreu há alguns anos, vítima de trombose, as duas pernas amputadas - as pernas que ajudaram a fazer sua fama.
A manhã, que começou límpida, foi aos poucos se acinzentado... É o outono gaúcho, é a vida.
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Sabe aquela bêbada que não interage? As pálpebras pela metade, parada ao lado do táxi, me olhando, eu ao volante, esperando que ela entrasse ou desocupasse a porta. Quando finalmente embarcou, apenas deu o destino com voz pastosa e se calou. Tentei puxar assunto, mas não, uma lápide, só o olhar de peixe morto mirando o infinito e uma leve oscilação de pescoço. Deixa quieto.
Fim da corrida, subida da Luiz de Camões. Depois de puxar a grana de uma maçaroca de notas, minha cliente enfiou o troco amassado no bolso e iniciou o procedimento de saída. A inclinação da rua foi um problema. Logo que soltou a mão do táxi, a mulher parece que perdeu o chão. Foi trocando pernas ladeira abaixo, lutando contra a gravidade, manejando os braços o equilíbrio faltando, ganhando velocidade. Ainda cogitei pular do táxi, ampará-la, mas ela já ia em desabalada carreira lomba abaixo, restou-me ficar na torcida.
Dizem que Deus protege bêbados, loucos e crianças. No caso, Deus materializou-se naquela calçada na forma de um brigadiano, desse que patrulham a cidade de bicicleta. O policial militar aparou a mulher! Cena de futebol americano, os corpos se chocando, a bicicleta, a ladeira, embolaram-se, pernas, braços, a velocidade diminuindo, upa, upa, arrasta, a luta contra o tombo iminente e, por fim, o abraço firme. Haaaa!
Vida que segue.
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Depois de metade da corrida em silêncio, o passageiro, do nada, me sai com essa:
- Meu órgão tá em festa!
Depois ele me explicou que o "órgão", no caso, tratava-se da repartição pública onde ele trabalha, que está completando 50 anos... Pô, baita susto!
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- É só um baseadinho, taxista, não dá nada.
- Tô ligado, mas não dá pra fumar no táxi.
- Podicrê.
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Já contei aqui a história da minha passageira idosa que se reaproximou do neto desde que o rapaz plantou um pé de maconha no quintal da casa dela - as visitas do garoto passaram a ser frequentes, ela fingindo que não conhece maconha, ele fingindo que ama a avó. Depois de muito tempo, ela voltou a pegar meu táxi. Perguntei como está a situação.
- As visitas continuam. Entre uma xícara e outra de chá, ele disfarça e vai lá colher a erva, mas sinto que estou perdendo meu neto.
- Para a droga?
- Para o smartphone. As visitas eram como uma rajada de ar fresco, tanta conversa, tantas novidades. Agora a tela do celular captura a atenção dele, é como um muro entre nós, restou quase um monólogo. Que vício desgracado!
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Atenção você que apanhou (muito) da sua mulher dentro do meu táxi, agora pela manhã. Tenho duas coisas para lhe dizer:
1 - você mereceu cada tapa, cada bordoada, cada cusparada que levou dela.
2 - Ficou caído no assoalho do táxi a lente que deve estar faltando no seu óculos. Procure-me (ou não).

domingo, 20 de maio de 2018

Difícil o taxista achar o que dizer a um homem de 73 anos que chora compulsivamente ao seu lado. Corrida para a rodoviária. O passageiro está levando sua mulher, com quem esteve casado por 45 anos, de volta à sua terra natal, Passo Fundo. Vítima de um câncer fulminante, transformada em cinzas, ela jaz em uma pequena urna, dentro da mochila que o homem abraça com força enquanto chora. Tem que tocar o barco, é a vida, precisa seguir em frente... Difícil achar o que dizer.
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Depois de me passar pela segunda vez o papel para que eu conferisse o endereço onde precisava ir, eu percebi o "problema". Meu passageiro, jovem, 23 anos, gessista por profissão, recém chegado do Interior, era analfabeto.
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Uma mulher bastante obesa embarca no banco da frente. A filha dela, no banco traseiro, explica que é uma corrida curta, que sua mãe não consegue mais caminhar. Entramos em uma vila muito pobre, o táxi se esgueirando por becos minúsculo. A moça faz uma ligação, explica ao marido que está chegando de táxi, pede que ele veja dinheiro para pagar a corrida. Confirma que está próxima, já está descendo o beco.
A moça aponta o casebre onde mora. Quando estamos nos aproximando, sai voando pela porta do tal barraco uma mulher, molhada, enrolada em uma toalha bem curta, passadas largas, em pânico, carregando as roupas em um dos braços. Minha passageira do banco de trás explode em indignação.
- Olha, mãe, a Salete, aquela piranha, Salete ordinária!
Daí em diante é um festival de baixarias: a moça traída rodando a baiana, o marido adúltero pedindo calma, a mãe com cara de quem já viu o filme antes, vizinhos chegando, cachorro acuando, eu só querendo receber minha corrida e a Salete sumida, nem cheiro. Da Salete, ficou só a imagem extraordinária daquelas pernas luzidias em fuga (suspiro).
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Meu colega Biela fechou o porta-malas do táxi com a chave dentro. Não é a primeira vez, maior bocaberta! Dessa vez não deu pra ligar pra esposa socorrê-lo como a chave reserva - o jeito foi chamar tele-chaveiro, gastar uma grana, quase destruir a fechadura, perder um tempão, maior função. A outra opção seria explicar pra patrôa como o táxi foi se trancar dentro de um motel

terça-feira, 8 de maio de 2018

Duas jovens adolescentes fazem sinal pro meu táxi em frente a um galinheiro. Elas sentam no banco de trás, fecham a porta, mas pedem que eu espere por sua avó que já está vindo. A mulher vem em seguida, segurando um galo pelas patas, pendurado de cabeça pra baixo, as asas sacodindo em protesto, o animal se debatendo enquanto a mulher caminha impassível e abre a porta da frente.
- A senhora não vai embarcar no meu táxi com esse bicho, assim, desse jeito.
- Qual o "pobrema"? Os táxis sempre me levam.
- Olha aí, tá voando pena pra todo lado!
Contrariada, a mulher maneja o galo prendendo-o embaixo do braço, as asas pressionadas pelo sovaco. Não me dou por satisfeito, o galinheiro que dê um jeito, que embrulhe o galo, sei lá. No banco de trás, as meninas protestam. Elas parecem não compactuar com as práticas religiosas da avó.
- É pra fazer um "cardo". As meninas bem que gostam da minha galinhada.
- Caldo nada, taxista, é pra batuque mesmo. Ela vai degolar o pobre do galo.
Caldo, saravá, não importa, ante minhas exigências, a mulher volta ao galinheiro onde o animal é colocado numa sacola. A corrida finalmente segue com a mulher emburrada, as adolescentes com cara de nojo e o galo aparentemente resignado com seu destino, seja a panela, seja o despacho.
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Minha passageira aliviada com o fim do calorão:
- Aquilo parecia o inferno de 'Gandhi'!
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Passageira do nosso ponto pega táxi todo dia levando comida para seu filho. Um aroma de delícias inunda o carro. A brincadeira é que o taxista adivinhe o cardápio pelo cheiro. Meu nariz hoje está afiado:
Guizadinho de abóbora.
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Por favor
Caso você pegue um táxi, caso esteja indo para um laboratório de análises, caso você decida sentar no banco da frente, caso tenha dificuldade com o cinto de segurança, NÃO peça para o taxista segurar, por um instante, seu potinho cheio de fezes. NÃO seja essa pessoa. Evite este constrangimento.
Bom dia, obrigado.
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Quem vê minha passageira, na casa dos 70 anos, frágil, recatada, voluntária numa ong de animais de rua, não imagina que por trás daqueles óculos de grau existe um passado. Um passado que ela adora recordar, provocada por este taxista bisbilhoteiro.
Minha cliente conta que, quadro jovem, idos dos anos setenta, auge do regime militar, fez concurso para trabalhar no DOPS, o temível departamento de repressão política. Única mulher entre 30 candidatos, foi aconselhada a desistir das provas. Não desistiu. No teste de tiro, dos 5 disparos exigidos, acertou cinco. Primeiro lugar no concurso.
Ao falar do se antigo trabalho, a vozinha se empolga "chamei muito vagabundo pra conversar", vibra no banco do táxi como se ganhasse vida nova, até que se dá conta que está dando bandeira e volta a se alinhar.
No fim da corrida, penso em dar um desconto, cantar o hino, jurar a bandeira, mas minha passageira já voltou a ser a cliente afável de sempre. Abre um sorriso, deixa uma gorjeta e pergunta se não quero adotar um vira-latas. Agradeço. Já tenho minha guaipeca.
- a origem
Meados de 2003, uma manhã qualquer, dentro do meu táxi, transportando um passageiro até o prédio do Jornal Diário Gaúcho. Meu cliente é o editor do jornal. De tanto ouvir minhas histórias mirabolantes de taxista, ele sugere que eu as escreva. Ótima idéia!
- série de tv
Abril de 2018, manhã de sol, rua Mansão, Bairro Azenha, ponto de táxi cenográfico, mais de 50 pessoas se movimentam em ritmo frenético envolvidas em equipamentos, maquiagem, figurinos, produção, diretor, roteiristas, áudio, luz, câmera, ação, muita ação! É o set de filmagem. TAXITRAMAS!

Bom dia pra você que pegou meu táxi muito cedo da manhã, com uma bebê no colo, enroladinha, encolhida, fustigada pela chuva gelada tocada com vento, indo até o Presídio Central levar uma medicação para seu pai que está cumprindo pena, desanimada com a fila no portão da cadeia, que ainda tem que levar a filha pra creche e deve escutar bronca do patrão por chegar atrasada, que pagou a corrida com o dinheiro contado e ainda me brindou com um sorriso luminoso e me desejou bom dia
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Senhora de uns sessenta e tantos anos saindo de um baile de terceira idade, finamente vestida, cabelo armado com fixador, maquiagem, mas alguma coisa está errada com ela: caminha com dificuldade, dura como uma múmia. É trazida ao meu táxi amparada por dois grandalhões, seguranças do baile. A mulher embarca de peixinho, como se mergulhasse para dentro do carro, não dobra as costas, não encolhe as pernas, sua situação parece crítica. Enquanto é depositada no banco traseiro, gemendo, respiração de cachorrinho, explica aos seguranças algo sobre um certo "oitavo parafuso". Vambora.
- Toca pra Petrópolis, taxista. Evite os buracos, por favor.
- A senhora precisa de um médico.
- Em Petrópolis, meu quiropraxista, já liguei pra ele, está me esperando.
- O que aconteceu com a senhora?
- Travou a coluna dançando um tango figurado. Conhece tango figurado? Tipo dança do Faustão.
- Minha nossa!
- Tenho 10 parafusos na coluna, todos calcificados, menos o número oito, o 8 tá solto, deve ter saído do lugar, o miserável (buraco!) Aaaiiii, respiração de cachorrinho!
- Desculpe, a cidade está que é só buracos.
Em Petrópolis, o médico já esperava a paciente com uma cadeira de rodas. Sai de costas, engatinhando no banco, ajuda, puxa, aaaiiii, cachorrinho, o oitavo parafuso, miserável, o cabelo já desarmado, o vestido longo dificulta, a bolsa engancha, tango figurado, paga a corrida, fica com o troco, dez parafusos, o número 8, doutor, o maldito oitavo parafuso de novo...
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- Bom dia.
- Bah, o Lula vai se entregar mesmo, vai pra cadeia, o Lula vai
- Vamos pra onde?
- O Lula vai... Oi? Ah, sim, Centro, toca pro centro, taxista. O senhor tá acompanhando?, aí, o Lula, o Lula, taxista, vai se preso mesmo.
- Não estou acompanh
- Tá aqui, tá no Twitter, no Facebook, tô vendo no Instagram, no YouTube, live, CNN, o Lula, cara, o Lula, o PT tá reunido, recurso, segunda instância, Rosa Webber, TRF4, supremo, recursos, justiça, manifestação, o Lula, algemas, cela de tantos metros quadrados
- Vamos pelo túnel?
- Barroso, instância, supremo, pt, eleições, Lula, o Lula, a cela, o Moro, a instância, ideologia, PT, PSDB, justiça no Brasil, o Moro, a Carmem Lúcia, preso, vai prender, algema, vai se entregar, o Lula, o Lula, sentença, o Lula, facistas, coxinhas, justiça, condenação, prisão.
- Deu doze.
- Doze anos de prisão?
- A corrida, R$12.
Mesmo que Mude
Os táxis de Porto Alegre são a cara da cidade. Assim como os táxis amarelos de Nova Yorque, os Black Cabs londrinos, nossos laranjinhas são um patrimônio afetivo, uma marca, uma lembrança que o turista leva na mente, nas fotos que identificam a Capital gaúcha de forma indelével.
Mas isso vai acabar.
Em nome da mudernidade, do pragmatismo, dos custos, em nome desta onda de mediocridade que assola a cidade e o país, vão acabar com o charme dos táxis porto-alegrenses. Que pena. Um dia vamos olhar velhas fotos coloridas e vamos lembrar de como tivemos uma cidade legal, de como nos orgulhávamos de sermos diferentes, do sotaque, do velho rock gaúcho e suas longas introduções, dessa pegada cultural que a cidade teve, desse colorido bacana que foi sendo perdido junto com o laranja dos táxis.
ao som de Bide ou Balde - Mesmo que Mude
- Tenho um sobrinho trabalhando em táxi...
- Olha!
- É um rapaz bom, estudou, tirou curso, informática, tem diploma, mas não sei, não deu pra nada o coitado.
- Pena.
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Dois homens miseravelmente bêbados chegam no meu ponto. Querem saber se os levo até a Azenha por R$10 (pelo taxímetro custaria uns oito). Negócio fechado. Eles embarcam animados, o mais jovem, mais tonto dos dois, tem dificuldade até mesmo em fechar a porta do táxi.
Durante a corrida, o mais tonto tenta convencer o outro a lhe emprestar seu cartão TRI, alega que está sem dinheiro para o ônibus, para comparecer a uma entrevista de emprego. O outro nega o empréstimo, diz que o cartão dele é de idoso, não vai passar. O clima azeda entre os dois. O mais tonto ameaça vomitar, o mais velho resmunga, mas a corrida é curta como coice de porco: eles se coçam, descolam dez pilas amarrotados e partem cambaleando Azenha afora.
Segue o baile.

domingo, 25 de março de 2018

Meu colega taxista foi assaltado, perdeu toda a grana, levaram tudo, um casal bem arrumado, não davam pinta de assaltantes, levaram documentos, relógio, o celular novinho do meu colega, ainda deram-lhe uma coronhada na cabeça, foi humilhado, cuspido, o assaltante violento, a mulher se divertindo, às gargalhadas, pegaram a chave do táxi e partiram abraçados, aos beijos, tirando onda da situação.
Enquanto registrava ocorrência na delegacia, enquanto dava jeito de fazer o táxi funcionar, meu colega recebeu mais um duro golpe. O pior de todos, aliás. Sem saber o que estava acontecendo, a esposa do taxista ligou pra ele. Atendeu a assaltante:
- Meu amor, estamos num motel, teu marido, no momento, está tomando um banho pra se recuperar do amor gostoso que acabamos de fazer.
As gargalhadas, o barulho do chuveiro e o celular desligado na cara. Não adiantou mostrar boletim de ocorrência, explicação, galo na cabeça, não adiantou nada, meu colega disse que seu casamento nunca mais foi o mesmo depois daquele assalto.
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Depois do terceiro assalto, o taxista comprou uma arma. Sua mulher entrou em pânico. O marido sempre foi um homem pacato, pai zeloso, temente a Deus, nunca se meteu em confusão. Mas a arma foi comprada, um 38 engasgado com seis balas tornou-se parte do assento do motorista, sob o estofamento, camuflado, invisível, mas à mão. Ninguém nunca soube da arma além da esposa, o taxista não era homem de contar vantagem, gargantear, ele mesmo procurava esquecer o revólver, nunca tirou-o do lugar onde foi colocado, não manuseava a arma, tinha uma espécie de respeito, repulsa, quase nojo, nunca deixou que outro sentasse ao volante, o banco daquele táxi guardava o seu segredo.
O homem anunciou o assalto já espetando uma faca na carne do taxista, penetrando alguns milímetros, pra não deixar dúvida, descarga de adrenalina, berreiro no ouvido, vou te matar filho da puta, escuridão, periferia, toca sem olhar pra mim, aperta a faca, o aço na costela, o medo no osso, entra no beco, sem saída, passa a grana, passa tudo, quero dinheiro, miserável, carteira com a grana, tudo, pode pegar, te mato, mãos no volante mané, passa o celular, não tenho, não uso telefone, tem mais dinheiro aqui, a mensalidade da escola, no porta-luvas, otário, perdeu, pega tudo, leva, gritaria no meio da noite, cachorro latindo, o beco deserto, chão batido, longe de tudo, de socorro, o bandido saíndo, ainda gritando, jurando de morte, o dinheiro, a mensalidade da creche no bolso do vagabundo, a mão do taxista sob o banco, achando a coronha da arma, empoeirada, áspera, anatômica, o bandido correndo em direção ao mato, a escuridão, o primeiro disparado, o segundo, o vagabundo caindo, levantando em direção ao mato, mais um tiro, outro, só a escuridão, cachorrada latindo, mais um tiro, o bandido sumido, flashes de fogo, estampidos, o gatilho sendo apertado a esmo, até não surtir mais efeito, o cheiro de pólvora na noite, a arma quente, descarregada, silêncio, nada de bandido, nem mais os cachorros, nada, a escuridão abafando tudo naquele beco sem saída, o vazio, a arma jogada no arroio, o taxímetro desligado, o rádio desligado, a mente quieta, o caminho de casa, o banho mais demorado, o sono, silêncio.
Esquecido em um quarto de paredes nuas, janela para um muro, tudo foi a tanto tempo, quando tinha táxi, quando tinha colegas, quando tinha uma esposa, retalhos das lembranças mais antigas, as que sobraram, que o Alzheimer não lhe arrancou por completo. Nem mesmo a enfermeira que lhe trocou a última fralda ele lembra. Certo apenas as cruzadinhas, Coquetel, que alguém lhe traz uma vez por mês, quando vem pagar o asilo, o filho, o neto, foi tudo a tanto tempo, não reconhece mais ninguém. Palavras cruzadas, apenas as cruzadinhas.
Quem tira a vida de outro, horizontal, nove letras: assassino.
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Saída de um mercadinho de bairro, confusão, fazem sinal para meu táxi. Uma senhora é trazida, amparada por dois homens, está toda mole, as pernas frouxas, a cabeça caída para trás. Depositam a passageira no banco traseiro, explicam que ela está passando mal, pedem que eu toque para um hospital. Alguém (tipo o gerente do estabelecimento) se prontifica a ir junto, mas a senhora dispensa o acompanhante, explica que ficará bem. Os homens batem a porta e eu parto em alta velocidade.
Minha passageira, ainda grogue, mas já recuperando a cor, explica onde mora, diz que quer ir para casa. Insisto em levá-la a um postinho, pelo menos, mas ela pede que não me preocupe, quer apenas chegar em casa.
Ela explica o que aconteceu no mercadinho: cansada de sofrer com os mosquitos à noite, disse que resolveu comprar inseticida, mas um inseticida forte, que mate mesmo, nada de fórmulas à base de água. Para certificar-se de que acertaria na compra, resolveu conferir o fedor dos venenos, fez uma espécie de degustação olfativa, jogando inseticida no ar e cheirando, o que detonou um processo alérgico, asmático, uma tranqueira respiratória dos infernos. Abri os vidros do táxi!
No final da corrida, com a respiração já recuperada, minha cliente ainda tinha um problema a resolver: os mosquitos.
- O senhor, que anda por aí: sabe onde vendem aquelas raquetes elétricas?
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cochilo depois do almoço
- O que um passageiro precisa fazer no táxi para figurar numa página do teu próximo livro?
- No volume 5 do TAXITRAMAS?
- O que teria que acontecer?
- Sei lá, algo extraordinário, não sei.
- Extraordinário...
- O que tu tá fazendo? Recoloca o cinto, por favor, o alarme do cinto, o cinto, o que é isso, tchê, para, não, nã, me solta, estou dirigindo, eu, recoloca o cinto, recoloca a blusa, por favor, a blusa, opa, ai, tira a mão!
- Isso é "extraordinário"?
- Tem gente olhando, a mulher naquele carro tá filmando, não tem película nos vidros, vou bater o táxi!
- Extraordinário, extraordinário, extraordinário.
- larga, larga minha cinta, opa, não, estou trancando o trânsito, vou bater, tem que passar a marcha, aí, ai, me solta, te veste, pelamor!
- Mancha de batom na cueca é extraordinário?
- Nãããããoooo!
acorda
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O Batman não viu que a capa ficou presa na porta do táxi. Quando se ajeitou para colocar o cinto de segurança, o tecido esticou, reeeec, rasgou: o Batman ficou puto! Fazer o quê? Ao taxista cabe dirigir, não sei de capa do Batman, ele que cuide da capa. Inconsolável, com a capa novinha rasgada, porcaria made in china, o Batman deu piti, começou a chorar, maior vexame, credo! A Cinderela, ao lado dele, quieta, só observando o fiasco, pose de esfinge, sem paciência, como quem vê a cena pela enésima vez. O Batman chorando a fu, arrancou a máscara pra secar as lágrimas, esperneando, só se acalmou quando pegou o tablet, a maldita tecnologia anestesiando tudo, esqueceu a capa, a máscara de lado já não importava, o Batman com a tela enfiada na cara, a Cinderela olhando a paisagem pela janela do táxi, santa Galinha Pintadinha, Batman!
Depois de largar as crianças na creche, a passageira seguiu a corrida. Respirou fundo. Confessou que tem dias que acha que não vai conseguir, mas é assim mesmo. A vida é um eterno seguir em frente.

domingo, 18 de março de 2018

- Gilberto, diz pra ele o endereço, Gilberto.
- Hã, quê, hã?
- Fala pro taxista, Gilberto! Diz aonde nós vamos, Gilberto!
- O cinto? Tem que botar o cinto aqui na frente? O quê, hã?
- O senhor ajude ele com o cinto, por favor... Agora fala o endereço pro taxista, Gilberto!
- Já falou pro taxista o endereço, Cleusa?
- Não, Gilberto, fala tu, Gilberto, tu está na frente, do lado do taxista, por que é que eu vou falar a porcaria do endereço, Gilberto?
- Ela já falou pro senhor aonde nós vamos? O quê é que ela tá falando? Ela fala pelos cotovelos. Cleusa, o que tu quer, o que tu quer, Cleusa?
- Que tu diga... Deixa pra lá, velho surdo... Vamos no Cemitério João XXIII, por favor.
- Taxista, nos leve no Cemitério...
- Eu já falei, Gilberto, agora eu já falei.
- Ela fala pelos cotovelos.

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Erico Veríssimo acaba de desembarcar do meu táxi. Ele mora no Passo da Areia, mexe com imóveis, é espírita e (para desgosto da sua mãe) nunca se interessou por literatura.
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Uma pessoa saindo de um motelzinho de quinta categoria faz sinal para meu táxi - uso a palavra pessoa pois, honestamente, no curto espaço de tempo que durou a corrida, não consegui identificar, nem quis perguntar, o sexo da figura andrógena ao meu lado. A pessoa me propôs pagar 7 Reais pela corrida até uma boca de fumo próxima dali. Ela estava com o dinheiro na mão e abriu a contabilidade para mim. O homem que estava no motel com esta pessoa, para quem ela estava indo buscar drogas, tinha destinado 60 Reais para a tarefa: cinquenta para a droga, dez para o táxi. Ela me propôs pagar 7 pela corrida, para que lhe sobrasse troco para um cigarrinho. Tudo bem. Se é para dar desconto, que seja para alguém mais ferrada(o) do que eu.

domingo, 11 de março de 2018

assiste lá

Osvaldinho era um colega nosso metido a valente. Taxista da antiga, bigodinho canastrão, palito no canto da boca, corpanzil de troglodita. Carregava um taco de beisebol sobre o painel do táxi, canivete, dizia que fazia e acontecia. Todos temiam o Osvaldinho. Acontece que ele se envolveu com uma cozinheira de um boteco vizinho ao nosso ponto. O namoro ia bem, até que a esposa do nosso colega descobriu e apareceu aqui montada num porco.
A mulher do Osvaldinho tinha menos de metro e meio, mas continha a ira de um furacão. Foi até o boteco, rodou a baiana, enfiou o dedo na cara da baranga que deu mole pro seu marido, quebrou os pratos e voltou para o ponto cuspindo fogo. Osvaldinho apanhou na cara, chorou, foi levado para o táxi puxado pela orelha, deixou o campo sob vaia dos colegas. Coisa mais feia!
Voltou uma semana depois com o rabo entre as pernas, orelhas murchas e a cara limpa - segundo consta, a mulher teria tirado seu bigode a tapa. Eu não duvido.
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Passageira indignada com o atendimento que seu irmão está recebendo em um hospital público, desabafa com o taxista:
- Meu irmão precisando de equipamentos, de respirador, de oxigênio, de monitoramento... o senhor sabe o que tem no quarto dele?
- O quê?
- Um crucifixo.
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Acaba de desembarcar do meu táxi um político das antigas, secretário de estado no governo Olívio Dutra. Lembrou-se de uma corrida que fez comigo naquela época (fim do século passado), de ter comprado meu primeiro livro. Bons tempos.
Quatro volumes depois, voltou a comprar o TAXITRAMAS, continua apaixonado por literatura. Política: nem pensar. Evita o assunto. Morando na praia, contou que dedica-se agora ao futebol de mesa. Jogo de botão! Viaja, participa de campeonatos, compra, vende e coleciona botões raros.
Foda-se Futebol Clube.
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Passageira zen budista, flores no cabelo, ying, yang, recitando mantras, posição de lótus no banco traseiro, o táxi inundado de paz, clima contemplativo, eu respirando fundo, o trânsito parado, tudo parado, ponto morto, tudo zen, aroma de patcholi, oiinnnn, sentindo a vibe, tocou um Bob Marley no rádio, o universo em comunhão, relaxa, respira, segue o fluxo, zen, tudo é harmonia, nirvana. De repente um estouro:
BLAAM!
Um motoqueiro passou entre os carros e levou meu retrovisor por diante. Abri o vidro do táxi, xinguei, filho da puta, safado, mandei à merda, o motoqueiro parou, encarou, chamei de corno, ofendi, ele puxou uma arma, o motoqueiro tava armado! O tempo fechou, calibre 38, nublou, relâmpagos, trovões, o motoqueiro apontou pra mim, eu fechei a janela, me encolhi, o motoqueiro irado, eu em pânico, o dedo no gatilho, o sinal abriu, um caminhão buzinou, eu encolhido, o motoqueiro guardou a arma, me chamou de corno, me mandou à merda, tudo bem, tudo bem, caminhão buzinando, começou a chover, o trânsito andou, o motoqueiro partiu, soltei a respiração.
Nada mais de budismo, que se dane, pro inferno o equilíbrio cósmico, Gandhi, meditação, fluxo, Bob, já era, deu, eu só pensava em acabar aquela maldita corrida pra trocar minha cueca.
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Pálido, cabelo ralo, muito magro, o paletó sobrando nos ombros, dois furos extras na cinta. Meu passageiro parecia mal. Contou que estava indo para o hospital cumprir (com sorte) os últimos 2 meses dos 6 que os médicos lhe deram de vida. Interessou-se pelo meu livro. Ofereci-lhe de graça, mas ele teve outra ideia. Pagou-me o dobro do valor.
- Não estarei aqui para o lançamento do seu próximo livro, então já deixo pago um exemplar. Só prometa que vai escrever a história desta corrida, do homem indo ao encontro da morte. Pode ser?
- Combinado.

domingo, 4 de março de 2018

Táxi com acesso a literatura

Depois de um longo dia de trabalho, o taxista Gardel já ia recolhendo em direção à casa. Em frente a um hipermercado, dois jovens fazendo sinal, sacolas de compras nas mãos. Vamos lá, uma última corrida. Não se deixa dois trabalhadores a uma hora dessas na rua, correndo o risco de serem assaltados e perderem suas mercadorias.
Noite, os jovens iam para uma zona complicada, perifería profunda, zona de disputa de tráfico, só mesmo a solidariedade entre trabalhadores levava Gardel a aceitar uma corrida daquelas.
Assaltado, ameaçado de morte, chamado de vagabundo, tapas na cara, todo o dinheiro levado, celular, relógio, chave do táxi. Fizeram a limpa e sumiram na escuridão. Engolido o susto e a humilhação, Gardel lembrou das compras no porta-malas. Os assaltantes haviam esquecido! Mas foi uma alegria efêmera, um sopro de consolo que não durou um segundo. Mesmo antes de abrir a porta traseira, o taxista já adivinhava o pior.
Lixo reciclável.
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Passageiro estrangeiro, sotaque carregado, presidente de uma grande multinacional alemã, falando maravilhas do seu país de origem, primeiro mundo, para onde ele sonha todos os dias em voltar. Perguntei se é o emprego que o prende ao Brasil. Com ar desolado, ele respondeu que não, que é algo maior que isso:
- O amor por uma gaúcha.
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Ao saber que sou amante das letras (e percebendo minha pouca fé), a passageirinha, fofa, obrigou-me a ficar com uma Bíblia de presente. Aceitei, por educação, afinal ela tinha 102 anos! (a passageira). A Bíblia, no caso, é uma edição bem mais recente.
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- Taxista, me leve lá naquela rua, do poeta aquele, saudade da minha terra, a rua que sobe da Goethe, da aurora da minha vida, o poeta, sabe?, como é mesmo?, Da minha infância querida, o nome da rua, do poeta, que sobe pro IPA, naquelas tardes fagueiras à sombra das bananeiras, do poema, eu decorei no colégio, sabia de cor, o nome do poeta, esqueci...
- Casemiro de Abreu?
- Isso! Rua Casemiro de Abreu, por favor.
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A figura na calçada da Bento Gonçalves não combinava muito com a claridade da manhã. O dia começou com uma travesti fazendo sinal para meu táxi, dinheiro na mão, gesto típico de quem já foi rejeitada por outros taxistas. Como quem diz: posso não ser a passageira dos seus sonhos, meu bem, mas tenho dinheiro para pagar a corrida. Os primeiros raios da manhã iluminavam uma figura esguia, pernas longuíssimas, shortinho jeans minúsculo, enterrado, as tiras da calcinha aparecendo no quadril, top rosa choque, salto alto vertiginoso e cabelão desgrenhado. Além da nota de 20 balançando em minha direção, ela tinha um bichinho no colo. Um hamster, acreditem, um ratinho malhado. Parei, óbvio.
Imagina um cheiro forte de perfume. Sentou na frente, educadíssima "Vila Cachorro Sentado, por favor", a maquiagem borrada, perguntei se estava tudo bem, "melhor impossível, beijei na boca, dancei muito", saindo de uma festa "Psy", música eletrônica, tentando retomar o sentido, "fraca pra bira", estava saindo de uma padaria onde tinha tomado um copão de café preto. Maquiadora, performer, massoterapeuta, explicou que ganhou o hamster do dono da festa que não queria mais o animal "será que dou queijo pra ele?".
A discrição da minha passageira foi pro saco quando mostrei meu livro à venda. Bateu palmas, pediu detalhes, deu chilique quando mostrei minha foto com a Fernanda Lima, Amor & Sexo, "ARRASOU, VIADO!!", quase perdeu o hamster pela janela do táxi, pediu que eu sintonizasse um batidão no rádio, que tocava FM Cultura bem baixinho, mas já era hora de desembarcar, a corrida chegava ao fim, minha cliente lamentou estar sem bateria pra fazer uma selfie. Melhor assim.
Desceu do táxi e entrou requebrando pela vila, jogando charme para os papeleiros que saiam para o trabalho puxando seus carrinhos, os gatos abanando o rabo para o hamster apavorado no braço de sua nova cuidadora.
Mais um dia no paraíso.

sábado, 24 de fevereiro de 2018


Só depois que já estava sentado ao meu lado, porta do táxi fechada, percebi o estado do meu cliente: duro na cachaça.
Com voz pastosa, o bebum ordenou que eu o lavasse até o "bar do Zé". Irritou-se quando eu perguntei aonde ficava tal estabelecimento - na cabeça embriagada dele, todos deveriam conhecer o local. Após alguns segundos contemplando o infinito, ele forneceu uma pista: Azenha. Vambora.
Alguma coisa havia acontecido no bar do Zé. O lugar estava cercado por curiosos, duas viaturas da polícia sobre a calçada e o que parecia ser o corpo de um homem estirado no chão, coberto por uma toalha de mesa.
- Bah, assaltaram o Zé de novo, taxista.
- Acho que foi mais do que um assalto...
- Será que tá funcionando? Preciso só mais um gole, vou ver se o Zé me atende. Pode deixar o taxímetro ligado.
Meu cliente entrou cambaleando pelo meio dos policiais, afastando a fita de isolamento, quase tropeçando no morto. Bateu boca. Não demorou a ser expulso da cena do crime. Voltou para o táxi indignado, de bico seco.
- Ué, o Zé não pode te atender?
- Não.
- O que ele disse?
- Nada. Tá lá, deitado no chão.
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Convencido pela mulher, meu colega Paulinho contou que acabou aceitando o convite do cunhado dele, "um chato", para passarem um dia na praia. Paulinho disse que não gosta de praia, detesta o cunhado, mas acabou cedendo à pressão da esposa, em nome da paz conjugal. Os dois casais, um dia apenas, o cunhado ajudaria no combustível... Bora.
Todos dentro do táxi, tudo pronto, cinto de segurança, solta o freio de mão, Paulinho engata a primeira marcha, o cunhado resolve puxar um assunto, pra quebrar o gelo:
- Então, Paulinho, como está a situação com o Uber?
Desengata a marcha, puxa o freio de mão, solta o cinto, todo mundo pra fora, acabou o passeio.
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pedido de ajuda
No meio da noite, o táxi resolveu pifar, desligou, do nada, dessas panes inexplicáveis que os carros por vezes apresentam. Eu tinha largado um passageiro lá pras bandas de Itapuã e tentava voltar à civilização por uma estradinha de terra perdida na labiríntica zona rural de Porto Alegre. Entre o nada e lugar nenhum, o táxi morreu. Na mais completa escuridão, sem GPS, sem sinal de celular para pedir ajuda, nem sequer uma lanterna, o jeito foi sair em busca de socorro.
Bati em uma espécie de sítio, chácara, sei lá, havia luz na casa e resolvi entrar. Na porta, atendeu-me uma mulher vestida com uma roupa estranha, tipo uma camisola semitransparente. Ela era muito clara, quase albina, olhos amarelados e usava uma tiara de flores no cabelo. Convidou-me a entrar. Licença.
Outras mulheres do mesmo tipo apareceram na sala, um ambiente amplo porém lúgubre, sinistro, mal iluminado por lâmpadas âmbares e vermelhas, tudo muito estranho. Enquanto me providenciavam um telefone, serviram-me uma bebida, que, por educação, aceitei. Não tardou a sentir-me tonto. O que se passou a seguir, não posso precisar, dar certeza, pois não era mais senhor de minhas faculdades mentais. Restaram apenas flashes, partes nebulosas de lembranças que me permitem concluir o seguinte: funciona na tal chácara uma espécie de seita de ninfomaníacas.
As mulheres se aproveitaram de mim, usaram meu corpo, sugaram-me as forças, inflaram meu libido ao extremo, num tipo de ritual coletivo de possessão sexual no qual defloraram minha intimidade ao som de cantos gregorianos em alto volume. Satisfiz uma a uma, com uma virilidade animalesca que nem eu mesmo supunha possuir. Uma loucura!
Amanheci completamente nú, dentro do meu táxi, que, por milagre, voltou a funcionar. Quando alcancei o sinal de celular, milhares de mensagens, SMSs, whats, ligações perdidas: minha mulher tentando me localizar.
O que peço aos amigos desta rede social é muito simples: Solidariedade. Preciso de depoimentos de outros homens que também tenham sido vítimas de tais mulheres, que conheçam o sítio, a Seita das Ninfomaníacas, alguém por certo pode testemunhar a meu favor, convencer minha mulher de que falo a verdade. Porque vou dizer: tá duro dormir no sofá.
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Projetando o corpo entre os bancos do táxi, a passageira pede a gentileza:
- Acabo de sair da manicure, o senhor se importa de pegar o dinheiro pra mim?
- Ããã...
- Aqui, no seio direito, por favor.
- Dá licença.
- Direito, seio direito.
- Ops, me atrapalhei, ãã pronto, ufa. Belo soutien.
- Brigada.
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AVISO
este post contém cenas fortes
O problema não era o fato de o homem ter a língua presa e falar sem parar, comendo os erres, nem o assunto enfadonho da intervenção no Rio, falando, falando, exército, Temer, Rio, segurança, o problema não era nem o mau hálito, nem o nariz enorme, bolotudo, vermelho e cheio de microvarizes, típico dos alcoólatras, nem os pelos compridos que saiam por aquele nariz avantajado, não, até aí tudo bem, taxistas estão acostumados a tudo, o problema não era nada disso.
O problema é que, grudado na ponta de um daqueles pelos que extrapolaram a cavidade nasal do passageiro, pendurado, balançando à medida que o homem falava, havia uma casquinha, como direi, um naco de mucosa nasal ressequida, uma bolota de ranho, na verdade, pendurada no nariz do meu cliente. Se é que me entendem.
Como lidar com isso?
Meu olhar era atraído por aquele "sedimento" oscilante, era tudo o que eu via, como o pêndulo do hipnotizador, meu olho acompanhando, e o homem falando, falando sem parar, traficantes, exército, Temer, Rio (tente pronunciar met'alhado'a sem os erres) e eu só olhando para a "coisa" pendurada, na dúvida se avisava ou não, um estranho, talvez fosse nervoso, melhor não falar, eu simulando limpar meu próprio nariz, na esperança que meu passageiro percebesse o "problema", mas que nada, só exército, só intervenção, só o Rio, quem quer saber do rio?, pelo amor de Deus!, esse negócio pendurado no narigão, tira isso daí!, mas não falei, o homem exaltado, discursando, a "coisa" ameaçando se desprender, eu torcendo, que agonia!
Tem um projeto na Câmara pleiteando aposentadoria especial para taxistas, alegando trabalho em ambiente insalubre. Deveria tramitar em regime de urgência urgentíssima.
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Tiozão saindo de um hotel, indo pra rodoviária puto da cara. Veio à Capital para o jogo do Grêmio. Resolveu comemorar o título com um grupo de torcedores numa famosa casa de prostituição. Não lembra de ter comido ninguém, mas, ao conferir o comprovante do cartão, agora pela manhã: R$1.200!
- Não se levanta uma taça todos os dias...
- O problema não é esse, taxista. Acontece que, na loucura, usei o cartão de uma conta conjunta. Minha mulher já deve ter recebido mensagem com a despesa.
- Ai, ai, ai.