domingo, 14 de outubro de 2012

Querida professora Amélia

Um colega me fez sinal, pediu para que eu estacionasse o táxi. Parei. Ele parecia feliz em me ver. Trazia consigo um bilhete que uma passageira o incumbira de entregar ao taxista que escreve no jornal Diário Gaúcho. Depois de um bom tempo sem cruzar comigo, o taxista, enfim, me passava o papel.

Tratava-se de um bilhetinho curto, escrito às pressas, porém com caligrafia caprichada e português de dar inveja a Camões. No bilhete, Amélia Tondello, minha primeira professora, pedia que eu falasse nela em uma de minhas crônicas. Não vejo data mais apropriada para atender ao pedido: dia 15 de outubro. Dia do Professor.

Professora Amélia, caso esteja lendo este blog, saiba que seu pequeno aluno cresceu, tornou-se um homem realizado e feliz. Um cidadão de bem, um marido apaixonado, um pai esforçado, um apreciador da vida. Em boa parte, devo isso à senhora e a outros excelentes professores que me fizeram a cabeça. Obrigado.

Tornei-me um desenhista amador, um músico amador, um escritor amador e um taxista profissional. Creia, não é pouco para um sujeito atrapalhado como eu.

Em suas aulas, professora Amélia, no colégio Marista, em Viamão, tive meu primeiro contato com as letras. Tomei gosto pela coisa. Tornei-me um leitor voraz. Mais tarde, passei a escrever eu mesmo minhas histórias, tanto que minha coluna no Diário Gaúcho, onde a senhora me reencontrou, está prestes a completar 10 anos. Uma pequena proeza.

Soube pelo colega que me passou seu bilhete, que a senhora estava orgulhosa do seu ex-aluno, sentia-se recompensada. Fico feliz. Minha irmã, Marcia, também é professora. Sei que a mana é movida (como de resto todos os mestres) pela paixão, pela vontade de fazer a diferença na vida dos seus alunos.

Vocês fazem toda a diferença.

Continue andando de táxi, professora Amélia, vai que um dia sou eu a lhe atender. Caso aconteça, não ligo o taxímetro. É o mínimo que posso fazer por minha inesquecível professora.

7 comentários:

Eduardo P.L disse...

Das professoras do primário, como no anúncio do "primeiro porta seios", nunca se esquece.

Ricardo garopaba Blauth disse...

Obrigado Mauro por homenagear sua professora. Permita-me dizer que ao o fazeres com a frase final valorizastes todas que fazem da carreira de ensinar, principalmente no "primário"......(nossa assim todos reparam minha idade),,,,,,,que é onde professores deveriam ser super valorizados ........

Ricardo garopaba

Ricardo Mainieri disse...

Bastante apropriada a crônica, Mauro.
Com ela, estás trazendo alegria a tantos professores que abraçam esta profissão quase como um sacerdócio.
Apesar do piso ou da falta deste, dos alunos por vezes "medonhos", a arte de ensinar é gratificante.

Abraço.

Ricardo Mainieri

SÉRGIO LB disse...

Nada mais oportuna e feliz que esta crônica em que tu, Mauro, brinda a todos os teus leitores na data em que se estabeleceu ser a de homenagem a todos os professores/educadores.

Que espetáculo singular: a tua professora Amélia, lá dos teus tempos [e já longos!] do Colégio Marista de Viamão jamais esqueceu o aluno que veio a ser o criador/escritor do Taxitramas: mandou um bilhete confiando-o para a prestação textual de uma homenagem ao "Dia do Professor"!

O que tu aprontaste nos teus tempos de aluno em Viamão, hein?

Nasci dez anos antes do Mauro, e até hoje recordo-me da maioria dos professores que lá atrás me impulsionaram fortemente na minha formação.

Mas - inveja boa - jamais tive o regozijo que o nosso articulista teve: a homenagem de uma mestra a um ex-aluno.

Parabéns Mauro!


Fatima Cristina disse...

Linda homenagem, Mauro!
Beijos

Clarice disse...

A diferença que faz na vida de alguém uma boa mestra. Nem que seja pra dar aquele olharzinho de incentivo, assim meio de cutucão para vida.
Boa, Mauro!

Dalva M. Ferreira disse...

Sem dúvida, eu ficaria feliz com essa homenagem. Grande Mauro.