domingo, 12 de fevereiro de 2012

Amor (nem tão) bandido


     Certas histórias, de certas passageiras, só uma taxista mulher vai ouvir. Ainda mais quando a taxista é a minha colega Luciane, uma espécie de Freud de saia. Eu não sei o que é que a Lu tem que as passageiras sentam no banco do táxi dela como se deitassem num divã. Aproveitam a corrida para desembuchar suas angústias.
     O caso que a Luciane me contou era de uma passageira de bom nível, executiva de um hospital, que apaixonou-se por um bandido. A mulher pegou o táxi aflita, estava indo para o presídio ver o que poderia fazer por seu namorado, um conhecido ladrão de bancos, que estava preso, sendo ameaçado de morte por seus colegas de cela.
     A passageira contou que havia conhecido o sujeito na sala de recuperação do hospital. Ela teve curiosidade de ver quem era o homem que merecia a vigilância de tantos policiais armados. A curiosidade evoluiu para o namoro que, inclusive, teria provocado o divórcio da mulher.
     Mas o papo de mulher para mulher no decorrer da corrida mostrou que aquele romance ia além do clássico caso de "amor bandido". A passageira confessou que a paixão ardente do início havia passado. Porém, agora, além de amante, ela tinha  virado uma espécie de administradora dos negócios que o ladrão possuía fora da cadeia. E ai morava o perigo.
     Ela precisava trocar o namorado de cela, salvá-lo da morte a qualquer custo. Segundo a passageira, sua situação era delicada. Ela havia contraído vários empréstimos, inclusive com agiotas, para pagar honorários de advogados e outras dívidas. Tudo seria pago em breve, quando o marginal progredisse para o regime semiaberto. Assim que deixasse o presídio, ele reaveria a fortuna que só ele sabia onde estava enterrada. As dívidas seriam quitadas e eles estariam ricos.
     A Luciane só me autorizou a contar essa história porque soube pela mídia que o tal bandido foi assassinado na cadeia. Ao que tudo indica, o meliante partiu deixando para trás uma mulher empepinada e uma bolada enterrada em algum lugar.
     É a vida.

5 comentários:

Joguete do Destino disse...

Nossa! Que roubada essa louca se meteu. Mulheres mais velhas são suscetíveis a esses malandros.

Gostei muito do blog, parabéns! Vc escreve muito bem, consegue prender as pessoas nos textos, deve ser a experiência no táxi!

Ulyane Gomes.

Anônimo disse...

Companheiro Mauro! JUNTE-SE A NÓS http://abrataxi.org/

Clarice disse...

Esse é um caso típico de internação. Da mulher. Ou muitos anos de terapia pra tarar dessa falta de amor próprio, baixa autoestima. Cada uma !

Letras Saltitando disse...

pqp!!!!

David disse...

Gostei muito de ler isto, lerei o resto do site em breve!