domingo, 21 de março de 2010

Um menor morto por semana


Era uma corrida para um bairro de periferia. Uma vila ao pé de um morro da zona leste. As passageiras eram uma senhora mais velha e uma jovem. Passava das dez horas da noite.
No fim da corrida, Toninho estacionou, deu o valor e ligou a luz interna do táxi. Enquanto a mulher pegava o dinheiro, o taxista notou que uma turma de garotos com idades entre oito e dez anos se aproximava. Um grupo de uns cinco guris.
Enquanto a mulher mais velha esperava o troco, um dos garotos abriu a porta traseira. A outra passageira desceu. Quando Toninho deu por si, o garoto que havia aberto a porta já estava embarcando. Os outros da turma o seguiram. Quando a mulher que estava sentada no banco da frente saiu do táxi, um dos meninos embarcou em seu lugar. De repente, o carro estava cheio de garotos.
A princípio, eram meninos fazendo algazarra, Toninho levou na esportiva. Sempre às gargalhadas, eles pediam que meu colega os levasse de graça até a parte alta do morro. Quando o taxista recusou-se a dar a carona, eles mudaram de atitude, zangaram-se. O garoto da frente passou a olhar pelo painel, como se procurasse algo para levar. O clima ficou tenso.
Toninho acabou levantando a voz e expulsou a turma do carro. De cara amarrada, os garotos saíram batendo as portas do táxi de forma a quebrá-las. Indignado, o taxista desceu, pensou em correr atrás das crianças, mas acabou desistindo.
Em um bar próximo, um homem, que assistira toda a cena, sorria. Parecia aprovar a malandragem, a arruaça dos garotos - fato que deixou meu colega ainda mais irritado.
Por coincidência, no momento em que Toninho me chamou para contar essa história eu lia, na capa do Diário Gaúcho, a triste notícia que um menor é morto por semana em Porto Alegre...
Passei o dia pensando a respeito. Tirei minhas conclusões, lógico, mas isso já é uma outra história.

10 comentários:

Silvia disse...

Muuuuuuitoooo triste essa história da vida real, Mauro.

Caminhante disse...

Nem todos são como Toninho, nem todos os garotos são como aqueles...

Haruko Artes disse...

Muito triste, cada dia que passa piora!

Dona Baratinha disse...

Infelizmente a atitude de muitos desses guris é uma atitude estimulada pelos mais velhos. Você sabe que fui professora por mais e uma década, eu era professora de escola particular, mas assisti cenas que só respirando fundo para engolir. Cenas de falta de respeito total, falta de princípios, falta de educação e de falta de caráter, e várias das vezes quando os pais eram chamados para discutir a atitude de seus filhos, em vez de se surpreenderem, surpreendidos ficávamos nós ao perceber que estes mesmos pais corroboravam com os atos de seus filhos. É muito triste,muito.

Adro disse...

bah, pesado né mano? é meio que chover no molhado falar isso mas: SEM EDUCAÇÃO DE VERDADE essa historia só vai piorar... até quando???
abraços Castro... boa semana...

Silvânia disse...

Se fosse no Rio,os meninos estariam armados...

Ricardo Mainieri disse...

A realidade da periferia de Porto Alegre é essa mesma, Mauro.
Vc. sabe, como taxista, que certos lugares à noite é de se pensar se vale a pena pegar a corrida.
A gurizada está, no mínimo, mal-educada.
Há um incentivo nestes locais á violência e ao desrespeito. Provavelmente, os pais destas crianças não são lá trabalhadores ordeiros...

Ricardo Mainieri

Clarice disse...

Uma cena muito parecida aconteceu quando fui levar algumas coisinhas numa creche e as meninas, de 4, 5, 7 anos esticaram o olho esperando convite para sentar no carro. Em menos de 5 minutos que ficaram lá dentro esvaziaram o porta-luvas. Na minha cara! Por sorte só tinha bloquinho, caneta, filtro solar e coisas dispensáveis. Fiquei tão chocada que travei.Não pelo valor, mas pela espontaneidade do ato.

A manchete me lembra Carl Sagan, que declarou certa vez, que cada vez que morre um ser humano há motivo de grande tristeza, pois cada um é exemplar único no universo. As palavras não são fiéis, mas o sentido sim.
O descaso com a vida é terrível.
Abraços.

karin disse...

Pois é...isso tudo acontece pq a meninada tem cobertura do Estatuto da Criança e do Adolescente,onde eles fazem arruaças e sabem que nada acontece.Infelizmente serão adultos sem carater e sem moral.Abraços.

Rick neto disse...

È falta de DEUs no coração.