segunda-feira, 1 de junho de 2009

O aviador e o taxista

Depois de pousar o avião em Caxias do Sul, o comandante tratou de desvencilhar-se dos procedimentos burocráticos do aeroporto. O aviador tinha uma namorada naquela cidade e estava ansioso para encontrá-la. Era uma loira casada, maravilhosa, com quem ele havia ficado na última vez que estivera em Caxias.
O aviador embarcou apressado no táxi e passou o endereço ao motorista. O taxista era uma figura exótica. Usava o cabelo amarrado num rabo-de-cavalo e tinha um bigode enorme. Um bigode gigante, como o aviador jamais havia visto.
Tão logo deu a partida, o taxista puxou assunto. Vendo o uniforme do comandante, o motorista quis saber se era verdade que aviadores, a exemplo dos marinheiros, tinham um amor em cada porto. O passageiro desconversou, não era do seu estilo falar de suas conquistas amorosas, mesmo sabendo que taxistas adoram este tipo de conversa.
Chegando à casa da loira, o aviador pediu que o taxista aguardasse. Explicou que, se sua amiga não estivesse em casa, ele continuaria a corrida. Dito e feito: depois de muito tocar a campainha, o aviador, desapontado, desistiu. Voltou para o táxi e pediu que o motorista o levasse para o hotel, no Centro da cidade.
No caminho, o taxista voltou ao assunto das paqueras. Com um sorriso malicioso, queria saber do aviador se aquela amiga que ele procurava não seria uma das suas namoradas. Incomodado com a insistência do bigodudo, o aviador cortou o assunto com rispidez. Não quis mais papo com aquele taxista enxerido. A corrida terminou com o aviador emburrado e o taxista ofendido.
Somente bem mais tarde, quando finalmente o comandante conseguiu entrar em contato com a sua namorada, ficou sabendo que ela era casada com um taxista que usava rabo-de-cavalo e um enorme bigode.

- História enviada pelo amigo Paulo Vinicius, a quem agradeço.

19 comentários:

Adro disse...

Que coincidência Castro. Tenho uma vizinha loira e ela é casada com um taxista com as mesmas características do personagem da tua historia. Vou apresentar o taxitramas pro meu vizinho. Acho que ele vai adorar. Hahaha
Abraços e boa semana

Dalva M. Ferreira disse...

Ah, essa foi por bem pouquinho... imagina se o aviador dá com a língua nos dentes! O pai da mentira é o demo!

Gorby disse...

Boa!!! Para não variar adorei!!

Abraço!

Lidiane disse...

Que sorte do comandante a sua imensa discrição!

crocodilo disse...

Grande Mauro!!!!

Tu és realmente um ótimo contador de causos!! Grande abraço e uma ótima semana.

Paulo Vinícius

Tita disse...

Por isso que creio que a discrição é uma das maiores virtudes do homem. Além de ser elegante, é bom pra integridade física.
Abraços, meu caro. E uma ótima semana de trabalho.

Anônimo disse...

Ô mundinho pequeno esse hein?! Com tanto taxista nesta terra ele tinha que embarcar logo no do corno!!! kkk Bjús

Silvia disse...

E o taxista nem falou que aquela era a casa dele....

Clarice disse...

Taxista rei da calma ou é muito burraldinho, além de fora de moda. Vai ver ele sabia que a esposa não estava em casa, mas queria ganhar a corrida.
Ou é manso mesmo.
Boa semana e muito agasalho que ele vem com tudo.

Dirceu disse...

Nossa... eh, eh...

Anunciação disse...

Por um triz!hehe

Debby disse...

Hahaha, surpreendente!
Engraçadíssimo!
Hugs

Alessandra Mendes disse...

Olá Mauro!
Sou jornalista da TV Pampa e gostaríamos de fazer uma matéria contigo!
Tens como me passar teus contatos?
Obrigada!

Alessandra Mendes
(xandams@yahoo.com.br)

Ricardo Mainieri disse...

Mauro, até na escolha de teus colaboradores és bem-sucedido.
Muito boa a estória do rapaz, tem enredo e um final surpreendente.
Um amigo cronista, que escreve para um jornal de Joinvile me mandou uma crônica que falava num taxista que gostava de Gonzaguinha e era culto e resolvi reaparecer.

Abração.

Ricardo Mainieri

vidacuriosa disse...

Com certeza o apartamento era em um edifício e o passageiro deu apenas ao taxista o endereço da rua e do prédio. Se fosse casa, o aviador estaria perdido. Uma vez vi um filme nacional, não me lembro o nome (acho que era os Cafajestes) em que uma mulher consegue o apartamento emprestado de uma amiga e leva pra lá um sujeito que conhecera na balada. O cara estranha que o prédio era o mesmo dele, o andar era o mesmo até que descobre que o apartamento dele é o dele. A mulher diz que a amiga iria passar a noite fora porque o marido estava viajando.

Karin disse...

É...como diz o ditado,em boca fechada não entra mosca!!!O aviador que se cuide.rsrssr.Essa foi por pouco.

*LIS disse...

Essas ironias sao curiosas, nao?

tesco disse...

Por isso é que sou bem discreto sempre, mas principalmente com taxistas. E se tiver blog e/ou coluna no jornal então... Rerrerré! _Abraço.

analu disse...

O.o muito legal o conto as descrições do taxista “Usava o cabelo amarrado num rabo-de-cavalo e tinha um bigode enorme” são ótimas, e o final foi intrigante/interessante, gostei muito do texto.
Abraço