domingo, 17 de agosto de 2014

Picolés e elefantes

A passageira embarcou no meu táxi carregando uma mala pesada e muitas dúvidas na cabeça. Destino, aeroporto. A mulher estava indo visitar o filho, que foi para São Paulo estudar medicina em uma das melhores universidades do país. O orgulho da família. Mas as coisas não estavam saindo como planejado pelos pais.

Depois de alguns anos cursando medicina, o filho da mulher resolveu largar a faculdade e montar uma fábrica de picolés mexicanos com um amigo. Mesmo com o coração apertado, minha passageira achava que deveria apoiar o filho. Financeiramente, inclusive - estava indo a São Paulo assinar a papelada do financiamento.

Ela me perguntou se eu achava que isso tinha alguma chance de dar certo. Como eu não tinha a menor ideia do que se tratava, perguntei se ela tinha experimentado o tal picolé. Desolada, a passageira afirmou que tinha detestado: o recheio de frutas grudava em sua prótese dentária. Um horror. Sem saber exatamente o que dizer àquela pobre mãe, resolvi contar uma história.

Me veio à mente a história de um amigo meu, o Gegê, um taxista como eu, mas um sujeito inquieto, que não era feliz na sua profissão e vivia procurando algum caminho que o afastasse do volante. Em uma viajem que fez ao Uruguai, Gegê conheceu um homem que morava embaixo de um elefante. Demitido do circo, o homem vagava pelo país com seu animal, que era tudo o que ele tinha.

Gegê viu ali uma oportunidade. Trocou seu táxi em Porto Alegre pelo elefante! Acredite! Trouxe o bicho para o Brasil e passou a alugá-lo para eventos. Chegou a locar o animal para que um certo político fizesse uma entrada triunfal em um comício de campanha. Coisas desse tipo.

Hoje, meu amigo Gegê, ex-taxista, é um promotor cultural bem sucedido e feliz.

Ao desembarcar no aeroporto, minha passageira parecia mais conformada com a escolha do filho. Com a troca da medicina pelos picolés mexicanos. Acho que, como conselheiro, sou um ótimo contador de histórias.

4 comentários:

milton taxi canoad disse...

Otima narrativa ,todo taxista acaba se tornando conselheiro,pelo menos e o que a maioria das pessoas pensam,mas na verdade somos excelentes ouvintes e na maioria das so falamos o q o passageiro ja havia decidido muito antes de sequer nos dar bom dia

riacrdo garopaba blauth disse...

alo Mauro.....gostei muito da ultima frase da tua narrativa........

Rafaela Gambarra disse...

Hahahahah Nada como bons exemplos pra confortar a vida!

dionete bugyi-zande disse...

e o coitado do elefante, que fim levou?????