domingo, 1 de setembro de 2013

Café com leite, pastel e medo

Parei no meio da manhã, como todos os dias, para tomar um café. A padaria estava cheia. Taxistas, serventes, garis, representantes comerciais. Gente simples em busca de algo para aquecer o estômago. O frio e a chuva lá fora valorizavam ainda mais o ambiente cheirando a pão quente e camaradagem.

Eu lanchava distraído, quando me assustei com uma arma raspando meu braço. Dois policiais entraram pela padaria, pistolas na cintura balançando ostensivamente. Não sei porque, fiquei pensando se teria sido uma daquelas que o menino paulista teria usado para matar a família e depois suicidar-se. Aquela notícia não me saía da cabeça havia dias.

Os policiais cruzaram o balcão e dirigiram-se para uma peça reservada aos funcionários da padaria. O proprietário do estabelecimento permite que eles sirvam-se direto no forno, nas máquinas de café, que façam seus lanches de forma reservada, longe da curiosidade dos clientes. Com isso, a padaria ganha a simpatia da corporação. Normal.

Mesmo depois de os policiais sumirem, eu continuava pensando naquela pistola enorme. Enquanto mastigava meu pastel, imaginava se um garoto seria capaz de usá-la contra a própria cabeça. Um pensamento idiota para se ter enquanto se toma café. Por estar pensando nisso, fiquei ainda mais assustado com o que veio a acontecer.

Dois rapazes entraram na padaria anunciando o assalto!

Boné enterrado na cara, capuz, armas nas mãos. A agitação típica de quem está muito louco, drogas, adrenalina. Depois do susto, todo mundo para o chão. Xícara caindo, gente desmaiando. Enquanto o rapaz de boné controlava os clientes, o encapuçado limpava o caixa.

Quando os policiais saíram da peça dos fundos, já tinham as armas destravadas, em segundos estavam disparando. Não se negocia tiroteio. Um dos bandidos alvejado na cabeça, o outro atropelado ao sair correndo da padaria. Ambos com passagem pela polícia. Procurados. Ambos mortos.

Muitas testemunhas. Duas poças de sangue.

6 comentários:

Ricardo Garopaba Blauth disse...

já tive arma
guardada a pedido de amigo que viajou
um dia de brincadeira
fomos usar balas
que estavam vencendo

caiu a ficha
arma na mão
é pra matar e não ser morto

competição
só em local apropriado

armas....Nunca Mais

Eduardo P.L. disse...

Que sorte. A do padeiro, a da sociedade e principalmente a dos frequentadores do bar que não mereciam começar o dia assim.
Bandido bom, é bandido morto.

cRiPpLe_rOoStEr a.k.a. Kamikaze disse...

2 vagos a menos para "socializar" o fruto do trabalho dos outros...

Bandido bom, é bandido morto. [2]

Anônimo disse...

que azar para os bandidos.
sorte para a sociedade

Telma disse...

Que coisa assustadora! Os bandidos terminaram mal, mas graças a Deus que os inocentes não se feriram. Um óptimo dia para ti. Beijinhos

Rafael Perfeito disse...

Essa é a primeira fora do Táxi??