domingo, 24 de fevereiro de 2013

Paciência e mate amargo

O grupo estava parado em frente a um posto de combustível na Terceira Perimetral. Tentavam, sem sucesso, conseguir que um táxi parasse. Mesmo em uma avenida bem iluminada, os taxistas desconfiavam do bando de marmanjos acenando no meio da madrugada. Mas o bandeira 2 Danilo, índio criado em Bagé, resolveu arriscar. Além de macho, precisava de grana.

Os homens “depositaram” um colega no banco de trás. Pediram que Danilo o levasse até a parada 42 de Viamão. Depois disso, embarcaram em um outro carro e sumiram. O sujeito mal conseguia falar de tão bêbado. Quando o taxista perguntou se tinha dinheiro, o passageiro respondeu enrolando a língua:

- Me deixem na Perimetral que eu pego um táxi pra casa!

Chegando na parada indicada, em Viamão, Danilo tratou de acordar o passageiro, que tinha apagado de vez. Ao ser informado pelo taxista que tinham chegado à parada 42, o homem arregalou os olhos atordoados e exclamou:

- Eu fico na Perimetral, deixa que eu pego um táxi!

Quando o homem finalmente conseguiu achar sua casa, informou que precisava acordar sua mãe, para que ela pagasse a corrida. Paciente, Danilo, que sempre carrega no táxi uma cuia de chimarrão, resolveu servir um mate amargo ao vivente, para que ele se aprumasse. Afinal, mãe nenhuma merece ser acordada por um filho naquele estado.

Quem visse a cena era capaz de não entender: taxista e passageiro chimarreando em um táxi, alta madrugada, em uma vila perdida de Viamão. Nada como um bom mate em silêncio para organizar as ideias.

Na hora de acordar a mãe, o homem parecia tímido. Sem a chave do portão, chamava por uma tal de Leonor sem muita convicção. Vendo que aquilo não ia funcionar, Danilo pediu licença ao homem, fez uma concha com as mãos em torno da boca e soltou um berro que acordou metade da vila: “LEONOR!!”. Em um instante a mulher apareceu.

Pouco tempo depois, Danilo já voltava à Capital com o dinheiro no bolso e a sensação do dever cumprido.

8 comentários:

cRiPpLe_rOoStEr a.k.a. Kamikaze disse...

O costume fora da Província de São Pedro é de oferecer café amargo aos borrachos.

Eduardo P.L. disse...

Bandeira B
B de bêbado.

vidacuriosa disse...

Esse é um conterrâneo meu dos bons. Competência profissional e solidariedade, que faz a diferença. Diferente de outros que acham que fazer o que é de sua atribuição já é o bastante.

Inaie disse...

pelo menos a casa era a certa...haha

Joao Costa - Bage - Rs disse...

So podia ser de Bage, competencia, responsabilidade e sensibilidade ! Parabens Mc teu B2 e o cara ! A proposito, se ele e o B2, tu e o B1 entao..."bananas de pijamas" ? Heheheehehehhheheheehhehehheeehhe !

Anônimo disse...

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Maykon disse...

Se eu tivesse conhecido o poder do mate amargo há uns anos, teria tido menos problemas no fim da adolescência e começo da idade adulta...
Abraço!

ricardo garopaba blauth disse...

por essas coisas do destino usei os serviços do Danilo, motorista do Mauro a noite. Conversamos muito, pois horas se passaram e desta conversa sei que o caso aqui contado é coisa do Danilo simmmmmmm........"allla putccha tcchhê"......