domingo, 9 de setembro de 2012

Um passageiro em apuros

Quando o taxista Danilo achava que nada mais poderia acontecer naquela corrida, surge alguém sinalizando no meio da pista. As luzes das viaturas cintilando na noite não deixavam dúvida: era uma blitz. Difícil seria explicar aquele passageiro nu dentro do táxi.

Tudo começou no Bairro Cidade Baixa, em frente a uma conhecida casa noturna. O taxista Danilo era o quarto da fila. Ele viu, um a um, seus colegas da frente recusarem um adolescente que implorava por um táxi. O garoto caminhava de forma estranha, encolhido. Danilo só entendeu o que se passava quando o jovem chegou até ele.

O rapaz precisava de uma corrida até a Lomba do Pinheiro. Tinha dinheiro, não estava bêbado, mas havia um problema: tinha sujado as calças! Vítima de uma violenta indisposição intestinal repentina, com o banheiro da casa noturna ocupado, o rapaz acabou borrando-se todo. E precisava que alguém o levasse para casa.

Danilo achou o jeito. Forrou o banco do táxi com jornal e, para garantir, pediu que o jovem ficasse de joelhos, de costas, agarrado ao encosto do banco dianteiro. Toca para o Pinheiro!

A situação, que já era terrível devido ao mau cheiro, ficou insuportável quando começou a chover forte e os vidros do táxi precisaram ser fechados. Impossível seguir em frente. Mais uma vez, a criatividade do taxista entrou em ação.

Havia no caminho um motel com uma cascata artificial na fachada. Aquela era a solução. O rapaz desceu correndo, tirou as calças e lavou-se na queda d‘água. Era noite, chovia forte, se alguém viu, não teve tempo de reclamar. Foi tudo muito rápido.

Depois de secar-se com a camiseta, o rapaz deixou a roupa suja por lá mesmo, voltou correndo para o táxi e a corrida seguiu. Até que foram parados na blitz.

O táxi foi cercado por curiosos. Todos que trabalhavam na operação quiseram ver o passageiro pelado. Depois de revistar o carro e o taxista (desnecessário revistar o passageiro), a corrida seguiu sem mais percalços.

7 comentários:

Eduardo P.L disse...

Cada uma!!!!

Ligéia disse...

Mauro, só você mesmo! rsrss. Como disse o Eduardo, acima: Cada uma!!!

Selena Sartorelo disse...

Até explicar a diferença entre o focinho de porco e a tomada a confusão já estava armada. Adorei!! e com certo constragimento diante da desartrosa situação tambpem fiquei co compadecida com o passageiro e as boas intenções do taxistas..Coisas que acontecem de fato...

vidacuriosa disse...

Ahahahaha. A mais hilária dos teus contos. Para mim foi ainda mais impactante por causa do que me aconteceu no fim de semana na sexta-feira à tarde, dia 7 de setembro. Eu estava em uma rua de um bairro de Gravataí e, de repente, õcorreu uma súbita revolta intestinal. Não havia um bar por perto, nada. A mercadoria já estava prestes para ser entregue sem que houvesse qualquer caminhão à disposição. Senti o pavor da tragédia (não falo cheiro porque não chegou a esse ponto), e foi então que pedi ajuda em uma residência, onde um cssal gentil permtiu que eu usasse o banheiro. A batalha foi vencida, mas, por pouco eu não teria passado o maior vexame da minha vida.

Mariana Vargas disse...

é... eu QUASE passei por uma dessa uma vez...
ufa!!
Abraços da Extraterrestre, Mauro!!

Silvana Santos disse...

Parabéns ao Danilo sempre pronto para ajudar em situações diversas.És destemido e perspicaz.

Luiz Taxista disse...

Huahuahuahua Como você temuma imaginação fértil cara. Mas foi muito boa.