domingo, 12 de agosto de 2012

Acredite se quiser

Quem me contou essa história foi o taxista Jorjão. O caso teria acontecido com um colega de ponto dele, o Risada, um motorista bastante conhecido na praça. É um caso incrível. As pessoas da área da saúde com quem falei se dividem quanto à possibilidade de isso poder, realmente, ter ocorrido. Como não consegui falar com o próprio Risada, vou vender o peixe assim como o Jorjão me passou.

Um homem ligou de madrugada para o ponto pedindo um táxi, urgente, pois sua mulher estava a ponto de dar à luz. O taxista Risada foi atender. Chegou ao endereço em poucos minutos. A mulher já não conseguia mais nem caminhar. O marido teve que ajudá-la a chegar até o táxi.

Foi uma correria maluca até o posto de saúde mais próximo. A mulher urrava de dor, com fortes contrações. O marido tentava ampará-la da forma como podia. A noite estava calma e Risada aproveitava o trânsito livre para acelerar.

Chegando ao posto de saúde, a atendente não deixou nem desembarcar a gestante. Informou que não faziam parto, que o taxista devia levá-la para um hospital.

O trajeto até o hospital foi em clima de terror. Com contrações cada vez mais frequentes e fortes, a mulher entrou em trabalho de parto. O marido, desesperado, pedia ao Risada que corresse. O táxi voava sobre canteiros e cordões de calçada.

Só quando chegou ao hospital é que Risada teve a real noção do que acontecia no banco traseiro. Havia sangue por tudo. O marido suava e gritava, abraçado à esposa, que, exausta, parecia ter desmaiado.

Sem esperar por ajuda, o marido, atabalhoado, puxou a mulher para o colo e saiu correndo hospital adentro. Com os nervos em frangalhos, tremendo muito, Risada desceu do carro e acendeu um cigarro. Precisava de um tempo para se acalmar. Foi a sorte.

Nem um minuto mais tarde, o marido voltou correndo, acompanhado de um enfermeiro. Estavam em pânico. Não havia mais bebê na barriga da mulher! Descobriram o recém-nascido caído no assoalho, dentro do táxi.

12 comentários:

ricardo garopaba blauth disse...

o cordão Mauro........tem um CORDÃO UMBILICAL......liga a mãe ao nenê onde corre o sangue que o alimenta...por isso é amarrado em dois pontos antes do corte.......

mmmaaaaaaassssssss.... a história é tua........
mesmo por boca de outros.......

Sérgio LB disse...

É ... tem o cordão umbilical... o cordão umbilical!

O Mauro ressalva na crônica que buscou explicação plausível da ocorrência junto a profissionais da saúde, e que mesmo assim restou inconcluso.

Sei que o Mauro não é da turma dos 'pescadores' que contam estórias inacreditáveis, as quais percebemos na mesma hora que não são verdadeiras, muito embora a riqueza dos detalhes narrados.

Até onde eu sei o Mauro não é pescador.

Mas o que ele tem de colegas taxistas que pescam... ah, isso ele tem...

Parabéns Mauro: por mais uma bela crônica, a par de os fatos narrados serem aparentemente inverossímeis... Serão mesmo?

'Há braço'.

Carolina Palma disse...

Independentemente de ter ocorrido ou não, o fato é que a (his)estória prende nossa atenção até o final. ótimo mesmo!

Jaque Ribeiro disse...

até poderia acontecer do bebe nascer no carro, mas nao teria como sair correndo com a mãe, por causa do cordão umbilical... ah nao ser que tenha arrebentado, o que poria a vida do bebe em risco

Anônimo disse...

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karin disse...

POOOOXA....QUE PRAZER REVE-LO NA TV...PARABÉNS!!!E QUE BOM PODER VOLTAR A LER SUAS HISTÓRIAS,...ABRAÇOS...

Anna disse...

E o bebê ficou bem?

Anna disse...

A mulher pode ter parido o bebê e logo ter saído também a placenta. Assim fica resolvida a questão do cordão umbilical.

Mas e o bebê? quero saber do bebê!!

Cristina disse...

O.O
E o bebê?????

Se é possível ou não uma prosa que me prendeu a atenção.

Ligéia disse...

Hein?!

Mauro, por favor, quando conseguir falar com o Risada, volte aqui, tá?

Há braços.

Telma disse...

Que coisa Mauro, o bebé ficou no banco traseiro enquanto a mãe saía carregada pelo pai! E o cordão umbilical? É a pergunta que não quer calar. Outra pergunta, como ficou o bebé? Espero que bem. Gosto muito de ler as tuas histórias, dou risada aqui sozinha, me divirto mesmo e como prende a atenção! Muito bem. Beijinhos

Anônimo disse...

Sempre respeitei a profissão, mesmo porque, um taxista me deixou dirigir seu fusca na quadra do bairro (até então só dirigi os carros do meu pai com ele ao lado me instruindo). Sobre essa narrativa, é possível sim, ter acontecido da placenta sair logo depois do bebê sem que alguém percebesse, pois na madrugada e com todo o estress, num pequeno espaço de passageiros... dá pra entender.
Mas gostaria de narrar um momento interessante (se me permite). Com 7 anos de idade, quebrei o braço e não tinha hospital atendendo naquele dia... só o hospital das clinicas em sao paulo. Com muita insistencia de minha mãe, um senhor de terno, quepe e luvas brancas que contrastavam com sua pele negra nos levou. QUE SUSTO! Ao entrar na av. paulista rumo ao hospital, o chevrolet preto com estofamento de couro deliciosamente perfumado parou abruptamente diante de gigantes de aço pintados com tinta fosca e homens uniformizados com fuzís vieram em nossa direção. Lembro perfeitamente daquele motorista dizendo pra minha mãe que eu deveria chorar o mais que pudesse... deu certo, os milicos deixaram a gente passar. Ainda me lembro (depois desse tempo todo) daquele homem educado e bem vestido cuja pele brilhava do tanto que transpirou naquela tarde de 64.
Inesquecível!
Obrigado Amigo - ler seu blog me fez viajar no tempo.