domingo, 4 de março de 2012

Mil cavalos de força

O homem embarcou no meu táxi e pediu que eu parasse mais adiante, um pouco antes da esquina. No cruzamento à nossa frente, no meio da rua, meia dúzia de pessoas discutiam. O clima estava quente. Palavrões, gestos fortes. Pareciam a um passo da agressão física.O passageiro ao meu lado explicou o que estava se passando.
Meu cliente e outros dois homens que discutiam na esquina faziam parte de uma espécie de comissão de moradores. Eles já vinham havia algum tempo em atrito com os religiosos que depositavam seus despachos nas esquinas do bairro. Como não estavam vendo resultado, tinham decidido radicalizar. Partir para o confronto.
Assim que a discussão acabou, com o pai de santo e seus clientes batendo em retirada, o homem ao meu lado pediu que eu parasse o táxi na esquina onde seus dois companheiros recolhiam o despacho em um grande saco de lixo preto. A ideia deles era seguir o religioso e largar o material na frente da casa dele. A impressão de que eu estava me metendo em uma fria era clara.
Os cidadãos não deram ouvidos às minhas queixas. Assim que parei, os homens embarcaram correndo com o saco de lixo transbordando velas, quindins e sabonetes. Uma garrafa de cachaça teve de ser levada separada pois não tinha tampa. Meus clientes tinham pressa. Não podiam perder o carro do pai de santo de vista!
Acontece que o batuqueiro não era fraco. Tinha uma dessas camionetas importadas com mil cavalos de força. Na subida da Cristiano Fischer, meu táxi movido a pôneis malditos ficou para trás, perdeu terreno de forma humilhante. Só faltou os passageiros descerem para empurrar (muito triste contar isso), não sobrou nem rastro do religioso fujão.
A corrida de volta não foi das piores. Os cidadãos acabaram achando melhor que tudo acabasse daquela forma. Com a cachaça passando de boca em boca, eles chegaram à conclusão que aquela loucura toda não fazia mesmo muito sentido. Chegaram a filosofar que a perda de potência do meu táxi pudesse ser obra de Deus. Ou de algum Orixá, vai saber.

7 comentários:

Eduardo P.L disse...

Onde você tem metido seus pôneis!!!!

RICARDO garopaba BLAUTH disse...

mais vale
poucos cavalos pagos
que outros "voando"
sabe lá como.........


ricardo GAROPABA blauth

RICARDO garopaba BLAUTH disse...

mais vale
poucos cavalos pagos
que outros "voando"
sabe lá como.........


ricardo GAROPABA blauth

Bàbá Hendrix ti Òrúnmìlà disse...

Se quiseres saber para quê servem os despachos, leia aqui:

http://orumilaia.blogspot.com/2012/02/rubo-orisa-as-oferendas-na-religiao.html

Letras Saltitando disse...

HAHGAHAHAHAHA!

"poneis malditos"

kkkkkkkkkkkkkk

morri de rir!

Clarice disse...

Acho um tal desperdício, mas a cachorrada aqui dos Açores se esbalda quando encontra o recheio do pano vermelho logo na entrada. Pelo menos quando os cães encontram tem um belo destino. Cada um com sua crença, mas nunca vi nenhum ser se servir desa pacotada de coisas. Nem verei.
Responda aí: será que o rapaz da SUV conseguiu esses horses todos só com reza e oferenda? ô loco meu!

spacebrazil disse...

sensacional demais