domingo, 1 de maio de 2011

A cantada inevitável

Eu não queria passar uma cantada na passageira. Juro de pé junto! Sou um taxista profissional, não costumo misturar as coisas. Simplesmente aconteceu, foi inevitável. Como uma bola que fica quicando na marca do pênalti, é da natureza do centroavante chutar, ele não resiste à tentação. Minha mulher, ao ler isto, há de entender.
A morena fez sinal, eu parei e ela entrou distraída. Depois que ela deu o destino, arranquei o táxi e perguntei-lhe simplesmente o seguinte:
- E o banco Comind?
No assento traseiro, a mulher ficou intrigada. Pelo retrovisor, pude notar os olhos amendoados da passageira alargarem-se de curiosidade. Olhos estes, aliás, que foram os principais culpados por toda a situação. Uns olhos castanhos gateados, que homem nenhum é capaz de esquecer. Eu, pelo menos, não esqueci. Mesmo passados mais de 30 anos, lembrei claramente o tempo em que trabalhava como office-boy em uma revenda de carros e ia ao banco Comind fazer os depósitos. Aquela morena, funcionária do banco, era o sonho de consumo de todo office-boy.
Quando ela perguntou como eu me lembrava dela passado tanto tempo, a resposta foi sem maldade, quase automática. O velho clichê: "Eu jamais esqueceria um rosto destes". Não tinha como dizer outra coisa, entenda. A bola ficou picando!
Embaraçada, ela perguntou se eu lembrava dos outros funcionários que também atendiam a conta da revenda de carros e citou seus nomes. Fui sincero ao dizer que não lembrava de mais ninguém, só dela. Para ser franco, eu nem lembrava mais do nome Comind, tudo me veio à mente de repente, logo que avistei a morena, que, mesmo bem mais madura, mantinha boa parte da beleza que fazia a alegria daquele jovem office-boy.
Ela não ficou tão lisonjeada quanto eu esperava que ficasse. Acabou desconversando e mudando de assunto - deve estar acostumada com os homens babando aos seus pés. Melhor assim. Só não precisava pedir-me um desconto no preço da corrida, com a desculpa de não querer trocar uma nota de R$ 50!
Mulheres.

8 comentários:

Eduardo P.L disse...

É o preço que pagamos às morenas de olhos gateados!

Ligéia disse...

Homens!...

Ricardo Mainieri disse...

Um dia desses, li uma crônica do Mário Prata onde ele, depois de uma sessão de amor com uma certa atriz, revelou a ela que gostava de fazer foto-montagens.
Para exemplificar, mostrou uma montagem onde várias pernas femininas apareciam em propaganda. A atriz reconheceu que fizera aquelas fotos em princípio de carreira.
Prata, então, pensou lá com seus botôes. Estou melhorando de vida, antes só desejava estas pernas em minhas horas solitárias, agora elas estão diante de mim...
Mas ou menos, alguma coisa a ver com tua crônica.
Como tu tenho um fraco por morenas, ainda mais de olhos gateados...

Abraço.

Ricardo Mainieri

carolineprado disse...

E dá prá deixar a bola picando sem tentar dar-lhe uma bicuda certeira? Claro que não. Se não der certo, paciência. hahaha

**** disse...

Ligéia não são os homens, são vocês mulheres que são magníficas!!!

Clarice disse...

Cantou mas não entoou!
O causo é que você fez a amendoada se sentir velha! Deveria ter dito que lembrava dela de tempos mais recentes.
O desconto foi por conta dos sonhos em que ela entrou sem receber nada. Abração.

Raphael Duarte disse...

muito bom!!
me segue que jah to te seguindo :D
kkk

flw

Débora Oliveira disse...

Epa, a patroa leu aqui?
Abraços