domingo, 18 de julho de 2010

Vote em mim! (ou não)

A recepcionista do motel indicou o quarto que havia solicitado o táxi e eu entrei. O cliente já estava esperando do lado de fora. Parecia nervoso, falando ao celular. Reconheci-o de longe: um político importante. Figura de proa da política gaúcha. Quanta honra!
Ele sentou no banco da frente, fez sinal pra que eu esperasse e continuou discutindo ao telefone. Estava furioso. O carro dele (dentro da garagem do motel) não queria funcionar, ao que parece, por um problema em um rastreador mal instalado. A pessoa no outro lado da linha, responsável pela colocação do tal equipamento, estava ouvindo poucas e boas.
Enquanto o político berrava ao telefone que iria processar a empresa que instalara o dispositivo, uma menina saiu do quarto. Era muito mais nova que ele. Ela embarcou, parecendo entediada. Quando já ia dando a partida, a garota pediu que eu esperasse, pois estava vindo mais uma pessoa (?). O Político, então, colocou a mão sobre o telefone e perguntou a ela onde estava o "infeliz", ao que a guria deu de ombros.
Em seguida, saiu do quarto um rapaz. Camiseta justa, bermudas, cabelo molhado. Um pouco mais velho que a menina. Com todos dentro do táxi, finalmente partimos. O carro ficou para ser rebocado.
Na portaria, mais problemas. Enquanto o político acertava a conta, a camareira que revisava o quarto informou, pelo interfone, que haviam esquecido um "acessório" na suite. O político, indignado, não queria voltar para pegar, mas o rapaz protestou:
- Tá louco, sabe quanto eu paguei por aquele chicote?
Depois de despachar os jovens no centro, deixei o político em frente ao diretório do partido. Ele pagou a corrida, pediu-me discrição, mas não esperou que eu lhe prometesse nada, pois já estava de novo ao telefone.
Fantasia sexual não é crime, eu sei, mas já tenho em quem NÃO votar nas próximas eleições.

25 comentários:

Eduardo P.L disse...

Esse sujou a ficha!
Vou levar seu texto para o NOSSO blog Sociedade Anônima, para o qual desde já esta convidado a participar!

Ana Lucia Franco disse...

Mauro,

Tua profissão é uma escola da vida. Bom que transformas tudo em boas crônicas, compartilhando conosco teu vasto aprendizado em escrita sempre cativante.

bjs.

Dalva Maria Ferreira disse...

Que nojinho!

Caminhante disse...

Agora a gente vai ficar se perguntando o que uma jovem, um jovem, um senhor e um chicote estavam fazendo juntos no quarto...

Clarice disse...

Estranho ele não ter ligado para a mulher ir resgatá-lo, não? Ou o secretário, ou o RP.
Boa semana!

Anunciação disse...

Vige!Tu te deparas com cada uma!

Clara Gurgel disse...

Oi Mauro! Que legal,você visitou meu bloguinho! Obrigada pela gentileza! Olha só...diz aí prá gente o "nome" desse político.Ah...conta vai! A gente não diz prá ninguém!KKK

Clara Gurgel disse...

Oi Mauro! Que legal,você visitou meu bloguinho! Obrigada pela gentileza! Olha só...diz aí prá gente o "nome" desse político.Ah...conta vai! A gente não diz prá ninguém!KKK

Eliana disse...

Hahahaha!!!

Que história mais bizarra!!!

Político e jogador de futebol estão sempre metidos em histórias sujas! (não quero generalizar!)...

Bom, pelo menos essa experiência serviu pra te ajudar a escolher em quem NÃO votar!

Abraços!

João Gilberto disse...

Bem, você pelo menos já eliminou um dos candidatos que disputam aos tapas (isso apenas pra começar) o nosso voto.

Até mais, bom trabalho!

Mr_P disse...

Êta Mauro, que pelo andar do taxi, acho que tu pode terminar votando até em branco nessa eleição.

Saudações!

Mouroblog disse...

Mas que trama ehehehe políticos sempre dão boas ou mas histórias muito bom meu amigo mantenha contato

**** disse...

Ahahahah...
Fico me perguntando onde se encaixava a menina.
Abraços!

T. Muffin disse...

Hahahaha sua profissão é muito interessante mesmo. Obrigada por ser meu único visitante homem! :D haha
beijo

T. Muffin disse...

Hahahaha sua profissão é muito interessante mesmo. Obrigada por ser meu único visitante homem! :D haha
beijo

Eduardo Martins disse...

A sujeira está em nossas mentes. Um tio (político) não pode descansar c/ seus sobrinhos no motel... E o chicote? Alguém perguntou... Você não sabe que políticos brasileiros são oriundos das oligarquias agro-pecuárias... Alguém tem que chicotear alguém ou algum.
abraço

Hidaiana Rosa disse...

HA! Sacada de mestre a sua no final da história!

Muito booom!

Até o próximo texto!

www.empautahr.blogspot.com

Ricardo Mainieri disse...

Mauro tu estás tirando conclusões apressadas.
O político estava em reunião íntima com seus assessores. Estavam no motel ensaiando cenas para um material publicitário de campanha.
Nela, o político apareceria chicoteando bonecos com rostos de colegas corruptos e um jingle ao fundo díria: Fulano de tal dá de relho na corrupção...
Ou tua crônica quer, mesmo, é sugerir outras coisas como trenzinho, sado-masoquismo e outras brincadeirinhas inocentes.

Abs.

Ricardo Mainieri

Nana disse...

Dá pra entender porque ele tava tão nervoso, o carro foi estragar justo no motel, kkkkkk.

Mico!

Ulisses Adirt disse...

Nervoso e pão duro. Se ele queria mesmo discrição, deveria ter contratado um táxi para os dois e outro, posterior, para ele.

Porém, tenho de dizer, se ele for pervertido sexual mas um bom político, não seriam pelas preferências sexuais dele q eu deixaria de dar meu voto.

Hidaiana Rosa disse...

Ahhh, escreve logo sobre o corpo enforcado! HAHAHA

;)

www.empautahr.blogspot.com

Rafael Perfeito disse...

Quer dizer que o senhor é eleitor de algum partido que prega a moral e os bons costumes? Coitado do cara...

Muito boa a ideia do seu blog, se for verdade então, é fantástico.
Nunca vou me esquecer das coisas que já ouvi de motoristas de taxi, principalmente na Argentina, onde eles são, ou se acham, extremamente politizados.

Um deles me mandou calar a boca, no meio de uma conversa, pois eu pronunciei o nome do Ménem.
_PPPPSSSSSSSSSSSHHHHHHHH!!!!!! Fui interrompido!
_ No meu táxi, esse nome não!!! Quando for falar desse senhor, use EL INOMBRABLE!

galabuss onibus disse...

tem que dar de chicote nestes politcos. rs

Ju disse...

haha
muito bom.
imagino que havia o risco de a menina ser menor. ai ai!

obrigada pela visita! volte sempre!

Adriano de F. Trindade disse...

Hahahahahahahahaha

Esse é o ponto fraco da moral e dos bons costumes: parece que este termo só se aplica á vida pública. Porque, entre quatro paredes, este termo perde a significância completamente.

Se fosse revelado ao público o que cada um de nós apronta entre quatro paredes, acho que não sobraria nenhum que não ficasse desmoralizado, e tal termo perderia o sentido completamente.

Tá bom, tá bom, "nenhum" é muito forte, ninguém vai conseguir se dizer inocente. Vamos dizer melhor, então: "0,01% da população vai escapar". Pronto, melhorou.

Mas que nada, o voto tem que ser embasado pelos méritos da atuação política do cidadão, porque se você descobriu a "atitude repreensível" desse senhor, falta fazer corridas deste naipe para todos os demais políticos de renome! Aí com certeza anularás vosso voto!

Abração e continue com os ótimos textos!