domingo, 2 de maio de 2010

Surpresa!

O taxista não achava que estava sendo metido. A passageira não tinha pedido sua opinião, mas ele era homem, sabia que aquilo não ia acabar bem, sentia-se na obrigação de alertá-la. A mulher, porém, não estava gostando do rumo que a conversa tomava. Ela tinha puxado assunto com o motorista, mas não queria que ele se intrometesse em sua vida.
Talvez por estar pegando táxi sozinha, tarde da noite, por insegurança, a passageira pensou em conversar com o taxista. Disse que estava indo encontrar o marido. Segundo ela, o esposo tinha o hábito de reunir-se com amigos todas as sextas-feiras em um estúdio onde ficavam tocando até alta madrugada. As mulheres nunca participavam, mas ela, naquela noite, tinha resolvido aparecer. De surpresa!
O taxista ofereceu seu celular à passageira, para que ela avisasse que estava indo. Talvez fosse melhor. Chegou até mesmo a sugerir que ela voltasse pra casa, desistisse da visita. Homens detestam surpresas, ponderou. Foi nesse ponto da conversa que a mulher irritou-se.
Ela pediu que o taxista não julgasse todos os homens por ele mesmo. Disse que conhecia bem o marido, que confiava nele, que não estava indo até lá para vigiá-lo. Se o motorista estava querendo insinuar que podia haver alguma mulher naquele estúdio, que guardasse para ele essa desconfiança. Ela agradecia a preocupação, mas, segundo ela, seu marido era vinho de outra pipa.
A passageira pediu que o taxista aguardasse e entrou no tal estúdio, o marido ia pagar a corrida. Quando saiu de lá, alguns minutos depois, veio completamente transtornada, aos tapas com o esposo, que tentava convencê-la que tudo não passava de um mal-entendido. Revoltada, a mulher jogou o dinheiro dentro do táxi, mandou que o taxista sumisse da sua frente e voltou a atacar o marido. Queria saber quem era "aquela lambisgoia", que estava sentada no colo dele!
Caiu a casa.

15 comentários:

Caminhante disse...

Que situação, hein!?

Anunciação disse...

Isso é que dá não ouvir uma pessoa mais experiente;ainda tem mulher que acredita piamente nessas coisas.Bem feito.

Nana disse...

Eu sou uma eterna desconfiada, obviamente não fico demonstrando isso, ngm merece alguém perguntando e cobrando do lado, hehehe.

Ricardo Mainieri disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Ricardo Mainieri disse...

Eu conhecia as estórias do futebol com os amigos, da convocação da empresa e dos velórios na madrugada.
Esta do estúdio de gravação é nova.
A passageira queria surpreender e foi surpreendida.
Seja ficção ou realidade uma boa estória para iniciar a semana.

Abraço, Mauro.

Ricardo Mainieri

Silvia disse...

Ainda bem que ela não ligou antes, pelo menos ficou sabendo da verdade....

Clarice disse...

Mauro,tem mulher que finge que acredita pra não ter que lidar com a situação e tem escritor que sabe contar essa história direitinho. De um jeito que a gente não sabe se fica com pena dos dois tolos ou do taxista, que deve ter cantado pneu pra não sobrar pra ele. Vai que a mulher comece a perguntar se ele sabia de alguma coisa por isso sugeriu que ligasse antes.
'Bora, colorado!

Tanani Avello disse...

A história é sempre a mesma, o que muda é o endereço!!

Carmem Tristão disse...

prefiro viver com o ditado: o que os olhos não veem, o coração não sente...

Alexandre RJ disse...

Ela deveria saber que os taxistas sabem de tudo e tem a formula para concertar o mundo!

Katrine disse...

rsrs. Adorei ler suas histórias. Ali no topo, dizendo que taxistas reparam em tudo.... haha.

Visitarei sempre que puder.

Abraços!

Dalva Maria Ferreira disse...

A verdade liberta. A verdade dói.

Elaine disse...

Olá!
De blog em blog cheguei até aqui.
Me diverti muito lendo seus posts, e escolhi este para elogiar seu estilo e seu senso de humor fino.
Sobre o post: ela foi avisada. Que bom que não desistiu da surpresa pois eu acho que é sempre melhor saber.
Né não?
Bom domingo.

Anônimo disse...

É seu Mauro...querer fazer surpresa e ser surpreendida.Já aconteceu comigo tbm.(Abafa o caso)rssrs...Abraçosssss

Ateliê da Nôna Clarice disse...

Pois é... mas o contrário também vale. Eu mesmo já resolvi aparecer de surpresa e dei com a cara na porta da querida... Abraços,