quinta-feira, 5 de novembro de 2020

 Transportei agora há pouco uma menina muito corajosa. Uns três aninhos de idade, cabelo ralo e olhos brilhantes. Ela viajou sentada no colo da mãe, agarrada a um unicórnio rosa. Estavam indo para o Hospital da Criança Santo Antônio. Quando a mãe confirmou que ela teria que levar um "pique", a menina disse que estava com medo, mas segurou o choro, a voz embargada, apertou o unicórnio contra o peito. A mulher me explicou que a filha está vencendo uma leucemia, que está lutando bravamente, mas as coletas de sangue são um problema. A pequena Isabela disse que seu unicórnio chama-se "Patas Brilhantes" e que ele também tem medo de pique. Confessei a ela que também tenho, todos tem, que não há problema em sentir medo. E inventei uma história sobre o poder de cura do chifre espiral dos unicórnios, e por um instante ela parece ter esquecido que estava indo para o hospital. Pelo resto da viagem, brincou de espetar a mãe com o pequeno chifre de pelúcia do Patas Brilhantes.

No final da corrida, garanti que ficaria tudo bem com ela, mostrei meu polegar inchado pela artrite e recebi um pique do Patas Brilhantes no dedo. Minhas articulações agradeceram.

Nenhum comentário: