terça-feira, 7 de abril de 2020

Estou chegando em frente a um prédio de luxo para desembarcar uma passageira. Enquanto minha cliente me paga, noto três mulheres na porta do edifício, uma delas elegante, altiva, magérrima; as outras duas humildes, por certo trabalhadoras do prédio. Elas estão com seus celulares nas mãos, naquela postura típica de quem espera transporte por aplicativos. É horário do pico, o trânsito está um caos, elas parecem angustiadas. A madame chega na minha janela, não baixo o vidro, ainda estou atendendo a passageira atual, fazendo o troco. As outras duas também parecem interessadas no meu táxi, mas há uma certa hierarquia rolando ali, mesmo que a madame não seja a patroa delas - estão acostumadas a esperar, dar passagem, usar o elevador de serviço.
Por fim, minha cliente desce e eu abro o vidro para atender a madame. Ela pergunta se trabalho por aplicativos. Sim, Cabify, mas está desligado. Ela pergunta se posso levá-la até o Centro, quanto custaria. Em torno de quinze Reais, informo. Ela alega que normalmente paga menos, pergunta se posso atendê-la pelo app, não está conseguindo transporte, está demorando, estão cancelando... Enquanto fala, ela digita no seu smartphone. Quando começo e explicar que teria que ligar o Cabify e tal e coisa, a mulher pede que eu espere um instante, dá 3 passos para trás, algum aplicativo deve ter aceitado sua solicitação. Aproveito para sinalizar às outras duas, elas respondem positivamente. Quando a madame volta a se interessar por mim (novo cancelamento?), minhas novas passageiras já estão embarcando. Game over.
Ar condicionado, carro cheiroso, som ambiente, motorista educado, minhas clientes terão um tratamento vip, profissional, por um preço justo. Serão tratadas como madames, assim como todas no meu táxi.

2 comentários:

John disse...

Wow Mario 4 books!
I am almost finished my first, it is hard work.
All the best during this mad time

John disse...

My eBook is out on the 19th with the book to follow
The steering wheel university by Paul Malone