domingo, 5 de janeiro de 2014

Literatura x tecnologia

Eu instalei no encosto do banco dianteiro do meu táxi um expositor que contém um anúncio do meu livro, com um exemplar para leitura. Esta propaganda e este livro ficam exatamente à frente de quem senta.

A maioria dos passageiros sequer nota esta novidade.

Atualmente, a grande maioria dos meus clientes, depois de informar onde querem que eu os leve, pega o smartphone, enfia a cara na tela iluminada e já era. É preciso chamar quando a corrida acaba. Na loucura do dia a dia, uma corrida de táxi talvez seja um bom momento para atualizar as tarefas virtuais. Compreensivo.

Mas eu preciso vender meus livros.

A passageira indica o destino da corrida e começa a mexer na bolsa. Quero alertar-lhe sobre o livro que está à sua frente, mas não quero ser inconveniente. Espero que ela ache o que está procurando. Com o canto do olho, noto que pegou um celular. Fico decepcionado, mas não me deixo abater. Espero que a passageira termine o que começou no telefone, mas ela não levanta a cabeça. Decido, então, por meu time em campo assim mesmo. Pergunto se ela conhece o livro que está à sua frente.

Começa o jogo.

Talvez por educação, a passageira tira os olhos do celular. Curiosa, pega o livro. Examina a capa verde, lê o título, tenta entender do quê se trata. Fico quieto, deixo que ela absorva as informações. Mas o telefone dela não deixa barato, tenta chamar sua atenção: emite sinais de alerta, bate-papo, mensagem, email. Então, decido defender meu produto. Explico o conteúdo do livro, enquanto ela examina a contracapa, as orelhas a lombada.

O celular continua na disputa, acende, vibra, esperneia, a tecnologia usa suas armas, não se entrega, mas a passageira lê uma página, duas, começa a rir, comenta, elogia. E devolve o smartphone à bolsa.

Depois de passar os olhos por mais algumas histórias, ela pergunta o preço do livro. Decide comprar. Passamos o resto da corrida falando sobre o Taxitramas.

Vitória da literatura.

4 comentários:

Eduardo P.L. disse...

Eu preciso comprar um táxi para vender meus livros...srsrsr

ricardo garopaba blauth disse...

a venda começa quando aparentemente o cliente não quer.....antes disto não foi venda,,,foi atender um pedido...rsrsrsrsrsrsrsrsr

parabéns Mauro por tua persistencia .....

Dalva M. Ferreira disse...

Vendedor de livro é chato. Num país de não-leitores, quem tem um livro é rei.

Elisandro disse...

Acho que ficou muito boa e bem posicionada a propaganda; fácil de ser notada. Mas acho um pouco chata a abordagem no sentido de dar uma "empurrada" nas vendas. A pessoa pode se sentir forçada a comprar e ficar constrangida em pegar o memo taxi numa proxima viagem e ser abordada novamente.