domingo, 25 de março de 2012

Vida louca

Os moradores de um beco de uma vila pobre acordaram no meio da noite com a barulheira. No meio do beco, um carro abandonado começava a pegar fogo. Um táxi. Não era a primeira vez que ladrões abandonavam carros roubados naquele lugar.

Aos poucos os moradores foram saindo das casas. Como o fogo aumentava, alguém tratou de chamar os bombeiros. O táxi ia sendo tomado pelas chamas. Impotentes, as pessoas observavam. Não havia o que fazer.

Foi quando alguém lembrou-se do último táxi roubado que fora abandonado naquele mesmo lugar: haviam encontrado o taxista dentro do porta-malas. E se também houvesse alguém dentro do bagageiro daquele carro? Não podiam deixar que o homem morresse ali. Precisavam fazer alguma coisa!

Não havia como pegar a chave, o carro estava em chamas, a fumaça tomava conta de tudo. Foi quando alguém apareceu com um pé-de-cabra. Abririam o bagageiro na marra!

Era uma operação arriscada, o carro parecia prestes a explodir. Mesmo assim os moradores arriscaram a vida tentando. A lata do táxi entortava, mas a fechadura não cedia. As pessoas puxavam com toda a força que tinham, a ponto de sangrarem as mãos. Alguém apareceu com uma picareta e começou a furar a lataria - se o taxista estivesse lá dentro, teria pelo menos um pouco de oxigênio.

Foi em meio a essa loucura que alguém chegou correndo. O taxista. O dono do carro, que tinha sido abandonado pelos assaltantes a algumas quadras atrás. Ao ver aquela gente toda destruindo a traseira do seu táxi, a única parte que o fogo ainda não havia consumido, o homem enlouqueceu. Será que todo mundo estava contra ele?

Depois de um princípio de briga, com o taxista indignado, os ânimos se acalmaram - afinal, os moradores estavam tentando salvar uma vida. O fogo apagou, a correria diminuiu...

Aos poucos, a agitação deu lugar à perplexidade. Moradores voltando para suas casas. O taxista chorando a perda total. A sirene dos bombeiros ao longe só aumentava a sensação de impotência, de abandono. Viver é mesmo uma louca aventura.

6 comentários:

vidacuriosa disse...

Mauro Castro, um astro na arte do suspense. Belo texto mostra que algumas aparências enganam. Os moradores já estigmatizados como bandidos exercitavam o altruísmo mesmo sob risco de vida devido às chamas. No fim, não acontecia
o que temiam e ainda foram "recompensados" com a desconfiança e a crítica. Ô vida louca.

Rafael Perfeito disse...

Acho que o assalto te trouxe para uma vibe mais violenta e crua, rs. Bom para nós, leitores.
Bonita a atitude das pessoas!
Terrível a realidade que produz situações assim, completamente plausíveis, embora permeadas de preconceitos e equívocos por parte de quem está envolvido!

cRiPpLe_rOoStEr a.k.a. Kamikaze disse...

Tudo culpa desses vagabundos da turma de "direitos humanos" que deixam a ladroagem se criar desse jeito. Vagabundo tem que voltar a ter medo da polícia antes que a situação fique ainda pior.

Bah disse...

MELDELS que desespero do taxista... que mundo de desencontros de informações.

Kisu!

Eduardo P.L disse...

Louca e insegura!

Clarice disse...

Essa história é perfeita para ilustrar a certeza de que tem gente que destroi tentando ajudar. Putz! Filosofia no meio da tarde de sábado! Sinal dos tempos.
Bom final de semana.