domingo, 18 de abril de 2010

Além da imaginação

O dia ainda amanhecia. Estávamos apenas eu e meu colega Jorge no ponto. Eu estava na ponta, dentro do táxi, escrevendo. De repente, vejo Jorge espiando para dentro do meu carro, com cara de espanto. Ele olhava para os bancos vazios do meu táxi e me perguntava pelo passageiro que havia embarcado há pouco. Não tinha embarcado ninguém, achei que ele estivesse brincando.
Jorge contou que tinha visto um homem entrando no meu táxi. Como eu não arrancava, veio ver o que estava acontecendo. Meu colega disse que era um homem alto, com cabelos longos e um livro embaixo do braço. Conclui que o taxista, por certo, estava vendo coisas. Ele, então, contou que não era a primeira vez que acontecia.
Segundo Jorge, essas "visões" o acompanham desde a infância. Meu colega contou que sua mãe, quando ele nasceu, fez uma promessa de levar o peso do filho em velas para uma determinada igreja. Seriam 3 kg de velas - o peso com que ele veio ao mundo. Só muito mais tarde, em seu leito de morte, a mãe teria confessado que nunca havia pago a promessa. Jorge acha que as visões o perseguem por isso.
Eu estava ouvindo essa história maluca quando o telefone do ponto tocou para minha primeira corrida do dia. Chegando ao endereço indicado, a passageira embarcou e alertou-me que havia um livro esquecido sobre o banco traseiro! Uma Bíblia!
A tal Bíblia ficou rolando por meu táxi até que dei-a de presente a um amigo, o Niltão, que é dono de uma pequena ferragem. Dia desses, encontrei o Niltão e perguntei pela Bíblia. Ele disse que um cliente a teria roubado. O homem chegou na ferragem para comprar uns parafusos. Quando Niltão voltou com o produto, viu o cliente saindo com um livro embaixo do braço. Ele descreveu o homem como sendo alto, de cabelos bem longos...
Comprei os 3 quilos de velas e dei ao Jorge. Ele que trate de pagar aquela maldita promessa.

16 comentários:

Mari Lopes disse...

Que medo...

Caminhante disse...

Que medo... [2]

Adro disse...

Castro. Ñ sei se o calafrio que eu senti ao terminar de ler a crônica foi de febre da gripe ou se foi de pavor mesmo. Hehe.
Abraços e boa semana.

Dona Baratinha disse...

Deus me livre, tô tooooda arrepiada. Eu tenho PAVOR de história de espírito, visão, tenho medo mesmo. Lembro que quando meu avô faleceu, como éramos muito próximos, passei ANOS com medo dele aparecer para mim. Vai ver foi por isso mesmo que ele não apareceu. ¬¬

Thalita disse...

Medo

Ulisses Adirt disse...

Divertidíssima a crônica, Mauro. Bom trabalho.

Nana disse...

E no início da história eu tava achando que teu amigo era esquizofrênico, hahaha.

Dirceu disse...

Sinistro...

Clarice disse...

Serão os ventos outonais a te darem ideias de outro mundo ou será uma preparação do espírito para o próximo Grenal? Por uma ou por outra, vai ao armazém e compra mais umas velinhas para o Colorado.

Deixando a piada de lado, pode acreditar que tem alguém sempre do teu lado te dando uma forcinha na hora de escrever. Ui!
Abraços. ;)

Debby disse...

De arrepiar, hahahaha!
Vc bem que devia ter ficadocom a Bíblia!
Hugs

tereza disse...

Muito interessante o seu post.
Comento pouco, mas leio sempre os seus textos.

Ricardo sales disse...

Muitas histórias interesantes.
Abraço.

Dalva Maria Ferreira disse...

Me lembrou meu amado avozinho,que nos contava "causos" de assombração à noite, antes da gente ir para a cama. Éramos pequenas, 3 irmãs, e íamos para o quarto agarradas à barra das calças dele,de medo. Ir ao banheiro antes de dormir? Nem que a vaca tossisse!!!

Silvia disse...

Boa, Mauro!

Alexandre RJ disse...

Muita boa! Essa merecia entrar no lugar daquele plagio sem vergonha da Poderosa. Com historias como essa ainda estaria no ar!

Lívia disse...

Que medo! Uma vez o meu namorado estava a conduzir numa estrada deserta perto de Coimbra com 3 amigos e viram um carro capotado na berma e 4 pessoas cá fora de pé a pedir para parar. Acharam estranho e continuaram mais 100 metros, depois com remorsos voltaram para trás e de repente já não estava lá nada nem ninguém. Eu odeio passar por ali e peço sempre para seguir outro caminho.
Aconselho-te, por causa das coincidências, a leitura do Caderno Vermelho do Paul Auster.